A Europa de João Paulo II João Paulo II 26 de Março de 2004, às 13:35 ... Discurso do Papa pronunciado ao receber, no Vaticano, o Prémio Internacional Carlos Magno Como é a Europa com a qual hoje se deveria sonhar? Permitam-me traçar aqui um rápido esboço da visão que tenho de uma Europa unida. Penso numa Europa sem nacionalismos egoÃstas, na qual as nações sejam consideradas como centros vivos de uma riqueza cultural que merece ser protegida e promovida para o benefÃcio de todos. Penso numa Europa na qual as conquistas da ciência, da economia e do bem-estar social não se orientam a um consumismo sem sentido, mas que estejam ao serviço de todo homem necessitado e da ajuda solidária para aqueles paÃses que tentam alcançar a meta da segurança social. Que a Europa, que na história sofreu tantas guerras sangrentas, possa converter-se num agente activo da paz no mundo! Penso numa Europa cuja unidade se fundamenta na autêntica liberdade. A liberdade de religião e as liberdades sociais amadureceram como frutos preciosos sobre o «humus» do cristianismo. Sem liberdade, não há responsabilidade: nem perante Deus, nem perante os homens. Em particular, após o ConcÃlio Vaticano II, a Igreja quer dar um amplo espaço à liberdade. O Estado moderno é consciente de não poder ser um Estado de direito se não protege e promove a liberdade dos cidadãos em suas possibilidades de expressão, sejam individuais ou colectivas. Penso numa Europa unida graças ao compromisso dos jovens. Os jovens compreendem-se com muita facilidade entre si, para além das fronteiras geográficas! Como pode nascer uma geração juvenil aberta à verdade, à beleza, à nobreza, ao que é digno de sacrifÃcio, se na Europa a famÃlia já não se apresenta como uma instituição aberta à vida e ao amor desinteressado? Uma famÃlia da qual também formam parte os idosos, promovendo o que é mais importante: a transmissão activa dos valores e do sentido da vida. A Europa à qual me refiro é uma unidade polÃtica, melhor, espiritual, na qual os polÃticos cristãos de todos os paÃses actuam com a consciência das riquezas humanas que a fé traz: homens e mulheres comprometidos em fazer que estes valores sejam fecundos, pondo-se ao serviço de todos por uma Europa do homem, no qual resplandeça o rosto de Deus. Este é o sonho que levo no coração e que quero pôr nesta ocasião nas suas mãos e nas das gerações futuras. JOÃO PAULO II, Vaticano, 24 de Março de 2004 João Paulo II Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...