Cerca de duzentos animadores e agentes da pastoral juvenil da diocese da Guarda, na sua maioria jovens, estiveram reunidos no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos, na Guarda, no dia 8 de Novembro para reflectir sobre a Eucaristia, sobre o que leva os jovens a ausentar-se ou a aproximar-se da mesma. Perante comunidades paroquiais tão envelhecidas, a reflexão tornou-se reveladora não só do que o jovem vive, mas do que o cristão em geral espera. Assim sendo
1. É do interesse dos jovens que a Eucaristia seja mais animada. A falta de vida e o facto de ser vista como um rito e uma obrigação leva a que se designe, insistentemente como “seca”. Às vezes é pouco cativante, muito monótona e contém uma linguagem demasiado complexa, desajustada e pouco coerente.
A Eucaristia continua a “ser latim” para muitos.
2. Hoje os jovens não têm “tempo”. O facto de existirem muitas outras formas de ocupação e o horário das eucaristias não lhes ser aprazível desviam a atenção dos jovens que procuram o mais fácil e agradável. Como Cristo é exigente, a Eucaristia torna-se um fardo pesado a que não são obrigados após o Crisma (pois já podem ser padrinhos) ou após uma certa independência que atingem.
3. A falta de fé e o pouco dinamismo dentro da Igreja por parte dos jovens foram também assinalados como responsáveis desse distanciamento.
A transmissão da fé passa, necessariamente, através do testemunho e coerência de vida pessoal e comunitária. Assim sendo, cada cristão deve procurar ser semente na evangelização dos outros. Antes de se “apontar o dedo” ao clero na fraca revitalização da Eucaristia, os jovens referiram a necessidade de a mudança começar neles próprios. Embora, muitas vezes, a sua força de vontade esteja esmorecida é necessário que eles recuperem a sua dinâmica, participem e consigam “agir” sobre a igreja, já que os evangelizadores dos jovens acabam por ser os próprios jovens.
4. A Fé constitui para os cristãos uma necessidade vital. Ela pode ser considerada como algo pessoal, mas quando “vivida” em conjunto, na comunidade e na eucaristia, é sentida de uma forma mais firme e verdadeira.
No entanto há falta de motivação nos jovens e uma fraca convicção enquanto cristãos, o que faz com que tenham vergonha de serem reconhecidos como tal. Dir-se-ia que a Eucaristia é encarada como um preconceito. Por isso isolam-se, escondem-se ou omitem a sua fé.
Daí a urgência de a Fé dos jovens ser aprofundada, aberta e mais “activa”.
Assim, reclamam que se aposte na Formação, na promoção de Encontros Diocesanos, na Oração e na criação de mais grupos de jovens, onde encontrarão incentivos à sua fé.
5. Como tudo se inicia na infância, é imprescindível encontrar “estratégias” com vista a motivar as crianças a participarem e a perceberem a Eucaristia, sublinhando-se, assim, a importância dessa intervenção precoce.
Uma vez que a família medeia a relação do jovem com a Eucaristia, sendo ainda “veículo” de valores cristãos, necessário se torna que ela seja sensibilizada e responsabilizada. O seu papel, exemplo e motivação foram largamente realçados por todos os grupos presentes.
6. Embora conscientes de que a Eucaristia não pode nem deve ser um “festival”, os jovens exigem que ela seja uma festa. E por isso desejam que seja mais viva e criativa.
Já no que se refere ao papel dos párocos, estes devem estimular os jovens à vivência da Eucaristia através de homilias mais cativantes e com linguagem mais simples e adequada. Os Cânticos e outros recursos litúrgicos também devem ser adaptados. Urge que as eucaristias sejam mais esclarecedoras para não se tornarem num culto religioso demasiado “mecanizado” e sejam “trazidas para fora” porque se não forem vividas na vida do dia a dia não fazem sentido.
7. A Eucaristia em si não pode mudar. O envolvimento dos cristãos é que pode.
É importante a participação e colaboração de todos, assumindo o compromisso enquanto cristãos.
Apesar de ainda haver muita ausência, os jovens concluem que é necessário dar tempo para que as mudanças se dêem, nunca perdendo a esperança.
Quando se fala de jovens fala-se de futuro e afirmam que o futuro pode ser diferente!
8 de Novembro de 2003