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Os fluxos migratórios de Leste para Oeste: os ciganos e o mercado das qualificações

OCPM
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Recomendações do Conselho das Conferências Episcopais da Europa

Realizou-se de 20 a 23 de Outubro de 2005, em Stubicke Toplice (Zagreb), na Croácia, o 7º Congresso da Pastoral das Migrações do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE). Reuniram-se 43 participantes entre bispos responsáveis da Pastoral dos Migrantes, directores nacionais e peritos de vinte Conferências Episcopais da Europa. O Encontro teve como tema “Os fluxos migratórios de Leste para Oeste” sob duas perspectivas: os ciganos (*) e o mercado das qualificações. Ambos os assuntos foram estudados em consideração ao pedido explícito das Conferências Episcopais da Europa Central e de Leste, particularmente implicadas nestas questões. Os participantes do Congresso consideraram importante submeter as seguintes recomendações às Conferências Episcopais. 1. Os Ciganos Os participantes constatam a presença de cerca de 15 milhões de ciganos a viver na Europa. Os ciganos desejam conservar a sua própria identidade cultural e a pastoral deve tê-la em atenção. Nesse sentido, os congressistas, na sequência das suas partilhas de perspectiva, apresentam as seguintes propostas: - As Igrejas locais continuem a comprometer-se em favor dos ciganos, conscientes da sua missão junto dos mais desfavorecidos. - As Igrejas locais ajudem as suas comunidades a tomar consciência da identidade dos ciganos, refutando os numerosos preconceitos negativos. - As Igrejas locais procurem informar-se sobre a situação concreta dos ciganos nas dioceses e paroquias e procurem responder, de forma adequada, ao desafio desta pastoral. - As Igrejas locais apoiem o encontro entre os agentes pastorais e os ciganos. Fomentam também o diálogo entre os ciganos sedentários e os nómadas. - As Conferências episcopais empenhem-se para que os modos de vida dos ciganos sejam reconhecidos, mediante a intervenção junto dos meios de comunicação social e das instâncias politicas. 2. O mercado das qualificações A situação económica e demográfica da União Europeia, em processo de globalização, carece cada vez mais de pessoas qualificadas. Por outro lado, as situações de injustiça e de falta de desenvolvimento de alguns países provocam a fuga de pessoal qualificado (“fuga de cérebros”), atraído pelas riquezas aparentes dos países do Oeste. Este fenómeno é novo também para as Igrejas do Oeste como para aquelas do Leste Europeu. - As Igrejas dos países de origem e de acolhimento são convidadas a trocar as suas experiências e expectativas nesta área da pastoral. - As Igrejas locais de acolhimento, em colaboração com as igrejas de origem, comprometem-se em pôr à disposição os recursos humanos e materiais necessários para a pastoral das pessoas qualificadas, sem ignorar os seus diferentes ritos. - As Igrejas locais dos países de acolhimento estão conscientes que a integração das pessoas qualificadas da Europa Central e do Leste constitui um enriquecimento, sobretudo do ponto de vista espiritual. - As Igrejas locais dos países de acolhimento reconhecem a necessidade duma pastoral orientada especialmente para com as pessoas qualificadas, porque este grupo pode fazer lançar pontes entre as diferentes Igrejas. Pode ajudar a criar um espírito de abertura favorável ao diálogo ecuménico e inter-religioso. - As Conferências Episcopais e as Organizações Católicas competentes recordam aos políticos e às instâncias europeias (União Europeia e Conselho da Europa) as suas responsabilidades em relação a este novo tipo de migração, que desenraíza pessoas, desintegra as famílias e priva os países de forças vivas imprescindíveis para o desenvolvimento. Zagreb, 23 de Outubro de 2005 * Com a designação portuguesa de “ciganos” incluem-se todas as outras expressões usadas nos vários países para indicar esta minoria cultural: gitanos, calós, gipsy, sinti, rom, gens du voyage, etc….


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