Dossier

Desafios actuais à Imprensa de Inspiração Cristã

Pe. Salvador Santos
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Pe. Salvador Santos, Presidente da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC)

Quando em Novembro de 2003, realizámos o V Congresso da AIC - Associação de Imprensa de Inspiração Cristã, em Braga, havia uma total preocupação com o futuro para estes suportes escritos, por quanto se falava em nova legislação para substituir o Decreto-lei 56/2001 e estava no ar a certeza de uma nova concordata. A estes dois desafios, outros se juntaram, a saber: - Necessidade de garantir o futuro e a continuidade da Missão da Igreja através do MCS. A criação de projectos empresariais; - Parcerias e rentabilização de recursos; - Proporcionar formação; - Publicidade e marketing, etc. Por isso, estrategicamente, a direcção da AIC reuniu na sua sede, com dois especialistas, para estudar o que se poderia fazer para levar uma palavra de esperança mas também para ajudar os associados da AIC a enfrentar os tempos que se avizinham. Das reuniões realizadas pelo país, no Porto, Fátima, Turcifal e Beja colhemos a preocupação dos nossos associados, obviamente mais concentrada na política do Porte Pago, mas ainda assim, com outras preocupações como sejam: como dar continuidade ao projecto sem Porte Pago e sem subsídios; como aumentar o número de leitores e sensibilizar os novos; como rentabilizar os recursos humanos e técnicos; como conquistar novos anunciantes e até, como organizarmo-nos empresarialmente, sendo um pequeno jornal paroquial? Para estas questões hoje já temos algumas respostas, conhecido que foi o texto da Concordata e o ante-projecto do Governo, para o sector. Contudo, para outras questões há que equacionar o tipo de projecto em que queremos apostar, dimensionar o que existe e onde queremos chegar e ver que intercâmbio poderemos criar entre dioceses, paróquias, jornais. Perante tantos desafios, importa que os intervinientes acordem para a realidade do que está a acontecer à sua volta, pensando hoje no que queremos para o amanhã. Seja como fôr os novos tempos trazem-nos novas exigências. Para além de imprensa Regional, combater o analfabetismo, ter a obrigação de fazer a leitura cristã dos acontecimentos e, encontrar caminhos éticos para viver neste mundo da selva, temos de dar novos contributos para a cidadania, e a democracia envolvendo—nos e organizando-nos para os tempos actuais e futuros. Perante estes desafios, importa perguntar: - Onde estamos? Qual a situação actual do meu jornal? - Para onde queremos ir nos próximos anos? - E como lá chegar? Que recursos humanos técnicos e formativos tenho de me rodear? A nova legislação Uma certeza: no que diz respeito à organização empresarial, a nova Concordata não isenta os jornais paroquiais de pagar impostos. Como sabemos, o pensar da Santa Sé é que a empresa rentabilizando a dignidade humana, tenha também uma função social através dos impostos que paga, para a causa pública... lutando contra a fraude fiscal e situações duvidosas... A nova legislação que já foi apresentada, se bem que ainda não publicada em Diário da República, aponta uma forte componente empresarial, com a alteração do Porte Pago para 50% a partir de 2007, mas com exigências profissionais, controlo, etc. Todavia a legislação que se propõe moralizar o sector anuncia outras medidas que ainda não estão regulamentadas, como seja a criação de um programa de apoio à contratação de jornalistas e outros profissionais, plano de formação para o sector e iniciativas de promoção da leitura. Importa tirar proveito destes apoios que poderão ser a base de rentabilidade e continuidade do nosso jornal no amanhã... Pe. Salvador Santos, Presidente da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC)


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