Dossier

Uma vaga preocupante

Agência Ecclesia
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Desemprego em crescimento

A taxa de desemprego em Portugal atingiu o valor trimestral mais alto desde 1998 nos últimos três meses de 2005, quando subiu 8%. Ao contrário da tendência europeia, o desemprego em Portugal deve continuar a crescer, pelo menos até 2007. O desemprego evoluiu, de Julho a Setembro do ano passado, ao ritmo médio de 330 novos desempregados por dia. A taxa de desemprego em Portugal só vai apresentar reduções significativas no final de 2007, estima a OCDE, que considera que a legislação laboral ainda é demasiado rigorosa. O desemprego real em Portugal é muito superior ao desemprego oficial, segundo alertam várias organizações. De acordo com dados publicados pelo INE, no 3º trimestre de 2005, o número oficial de desempregados alcançava os 429,9 mil (a taxa oficial era de 7,7%), mas, na mesma altura, o desemprego corrigido, que inclui os “inactivos desencorajados†e o “subemprego visívelâ€, atingia 549,9 mil, o que correspondia a uma taxa de desemprego de 9,9%. O desemprego aumenta de uma forma desigual nas diferentes regiões do País, consequência das graves assimetrias existentes. Entre 2001 e 2005, a taxa de desemprego aumentou, a nível nacional, em 83,3%, mas na região Norte, por exemplo, a subida atingiu 137,8%. Entre 2001 e 2005, o desemprego de longa duração (12 a 24 meses) cresceu 153%, e o de longuíssima duração subiu 186%. Estes últimos valores indiciam uma crescente exclusão social de milhares de trabalhadores desempregados. Também nas previsões de crescimento, a economia portuguesa contraria a UE, devendo continuar até 2007 a crescer abaixo da média europeia, perfazendo um total de seis anos de empobrecimento face aos parceiros da União. As origens do desemprego e deste empobrecimento relativo está em deficiências estruturais da economia portuguesa, que se prendem com a baixa qualificação da mão-de-obra e dos empregadores (dos cinco milhões de activos, 3,5 milhões não completaram o 12º ano) e a um tecido produtivo muito marcado pela pequena e muito pequena empresa. A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) dá ao “futuro do trabalho†o papel central nas suas acções para este ano, apontando as desigualdades sociais como uma causa para o problema do aumento do desemprego. Para estes responsáveis, a dificuldade está em criar mais empregos, tendo em conta que o tecido empresarial "está desmantelado".


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