Entrevistas

Igreja quer abrir portas dos seminários

Luís Filipe Santos
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Na Semana dos Seminários (6 a 13 de Novembro), o Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios fala da realidade destas instituições e diz aos jovens que a Igreja conta com eles

Agência ECCLESIA (AE) – Comparando com décadas anteriores, os seminários portugueses estão praticamente vazios. O que é necessário fazer para que os jovens voltem a estas «casas» de descoberta e aprofundamento vocacional? D. António Francisco Santos (AFS) – Não estou completamente de acordo que os seminários estejam praticamente vazios. Tivemos uma reestruturação dos seminários em Portugal, com alguma diminuição dos seminários menores e com alguma redução dos anos de percurso nos seminários. A nova organização do ensino em Portugal possibilitou o acesso a este de todas as camadas populacionais e não se justificava tanto a existência de seminários menores. Quanto aos seminários maiores reorganizou-se a estrutura em seminários inter-diocesanos. Creio que a Semana dos Seminários pode motivar e incentivar o carinho para com estas instituições. E também fazer sentir que os seminários são uma prioridade da vida Igreja em Portugal e em todo o mundo católico. AE – Deixaram de ser prioridade alguma vez? AFS – Têm sido sempre prioridade e um meio que julgamos imprescindível e insubstituível para a formação de novos sacerdotes. Os seminários são a prioridade e nós assumimos isso com consciência e esperança. Queremos também que esta prioridade seja assumida, não apenas pelos bispos e sacerdotes, mas por toda a Igreja. Queremos despertar a consciência dos crentes e não crentes para a importância e missão do sacerdócio presbiteral. AE – Motivar é a palavra central neste processo? AFS – É verdade. Com esta motivação vem também a urgência de aprofundar a convicção de que nos seminários estão os gérmens e a escola de futuro das nossas comunidades. Gostaria que esta semana ajudasse a promover seminários de portas abertas às famílias, escolas e comunidades. É necessário promover seminários cada vez mais atentos à voz de Deus. AE – Perante estes dados, como está a funcionar o Serviço Nacional da Pastoral das Vocações? AFS – Na semana anterior tivemos, em Fátima, o II Fórum Nacional dos Representantes da Pastoral das Vocações nas dioceses e dos delegados dos Institutos e Congregações Religiosas para a Pastoral das Vocações. Há um serviço organizado, mas queremos consolidá-lo, compromete-lo mais e trabalhar em articulação com os institutos religiosos e de vida consagrada. AE – Praticamente em todas as dioceses, os seminários são edifícios enormes. Como rentabilizar estes espaços no futuro? AFS – Quando disse que os seminários deveriam ser cada vez mais seminários de portas abertas referia-me a este aspecto, mas sem prejudicar a presença e a permanência dos seminaristas. As dioceses têm procurado rentabilizar os seus espaços, dando sempre prioridade a que eles continuem a ser também espaço de seminário. Muitos têm sido reestruturados para se adaptarem às circunstâncias modernas. As casas que ficaram disponíveis têm sido aproveitadas para centros pastorais, de vida espiritual, casas de retiro ou até para lares sacerdotais. AE – Os seminários deixaram de ser aqueles espaços frios como referia Vergílio Ferreira no livro «Manhã Submersa»? AFS – É uma referência distanciada da nossa realidade contemporânea. Hoje, os espaços dos seminários são acolhedores onde os seminaristas se sentem na sua própria casa. AE – João Paulo II dizia aos jovens para não terem medo de Cristo, mas estes ainda não assimilaram bem as palavras do Papa polaco? AFS – Repetiu tantas vezes essa frase... Ele, ao convidar os jovens a não terem medo de abrir o seu coração a Cristo, lançou-os num grande dinamismo de procura da vocação. Os jovens souberam ouvir a voz de João Paulo II, tal como saberão ouvir a voz de Bento XVI. AE – Gostaria de deixar um apelo aos jovens nesta Semana dos Seminários? AFS – Gostava de dizer aos jovens que a Igreja conta com eles e a comunidade precisa deles. Estou certo de que não faltarão nos nossos seminários vocações decididas e generosas. Olho para esta problemática vocacional com esperança.


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