Igreja quer abrir portas dos seminários LuÃs Filipe Santos 04 de Novembro de 2005, às 18:59 ... Na Semana dos Seminários (6 a 13 de Novembro), o Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios fala da realidade destas instituições e diz aos jovens que a Igreja conta com eles Agência ECCLESIA (AE) – Comparando com décadas anteriores, os seminários portugueses estão praticamente vazios. O que é necessário fazer para que os jovens voltem a estas «casas» de descoberta e aprofundamento vocacional? D. António Francisco Santos (AFS) – Não estou completamente de acordo que os seminários estejam praticamente vazios. Tivemos uma reestruturação dos seminários em Portugal, com alguma diminuição dos seminários menores e com alguma redução dos anos de percurso nos seminários. A nova organização do ensino em Portugal possibilitou o acesso a este de todas as camadas populacionais e não se justificava tanto a existência de seminários menores. Quanto aos seminários maiores reorganizou-se a estrutura em seminários inter-diocesanos. Creio que a Semana dos Seminários pode motivar e incentivar o carinho para com estas instituições. E também fazer sentir que os seminários são uma prioridade da vida Igreja em Portugal e em todo o mundo católico. AE – Deixaram de ser prioridade alguma vez? AFS – Têm sido sempre prioridade e um meio que julgamos imprescindÃvel e insubstituÃvel para a formação de novos sacerdotes. Os seminários são a prioridade e nós assumimos isso com consciência e esperança. Queremos também que esta prioridade seja assumida, não apenas pelos bispos e sacerdotes, mas por toda a Igreja. Queremos despertar a consciência dos crentes e não crentes para a importância e missão do sacerdócio presbiteral. AE – Motivar é a palavra central neste processo? AFS – É verdade. Com esta motivação vem também a urgência de aprofundar a convicção de que nos seminários estão os gérmens e a escola de futuro das nossas comunidades. Gostaria que esta semana ajudasse a promover seminários de portas abertas à s famÃlias, escolas e comunidades. É necessário promover seminários cada vez mais atentos à voz de Deus. AE – Perante estes dados, como está a funcionar o Serviço Nacional da Pastoral das Vocações? AFS – Na semana anterior tivemos, em Fátima, o II Fórum Nacional dos Representantes da Pastoral das Vocações nas dioceses e dos delegados dos Institutos e Congregações Religiosas para a Pastoral das Vocações. Há um serviço organizado, mas queremos consolidá-lo, compromete-lo mais e trabalhar em articulação com os institutos religiosos e de vida consagrada. AE – Praticamente em todas as dioceses, os seminários são edifÃcios enormes. Como rentabilizar estes espaços no futuro? AFS – Quando disse que os seminários deveriam ser cada vez mais seminários de portas abertas referia-me a este aspecto, mas sem prejudicar a presença e a permanência dos seminaristas. As dioceses têm procurado rentabilizar os seus espaços, dando sempre prioridade a que eles continuem a ser também espaço de seminário. Muitos têm sido reestruturados para se adaptarem à s circunstâncias modernas. As casas que ficaram disponÃveis têm sido aproveitadas para centros pastorais, de vida espiritual, casas de retiro ou até para lares sacerdotais. AE – Os seminários deixaram de ser aqueles espaços frios como referia VergÃlio Ferreira no livro «Manhã Submersa»? AFS – É uma referência distanciada da nossa realidade contemporânea. Hoje, os espaços dos seminários são acolhedores onde os seminaristas se sentem na sua própria casa. AE – João Paulo II dizia aos jovens para não terem medo de Cristo, mas estes ainda não assimilaram bem as palavras do Papa polaco? AFS – Repetiu tantas vezes essa frase... Ele, ao convidar os jovens a não terem medo de abrir o seu coração a Cristo, lançou-os num grande dinamismo de procura da vocação. Os jovens souberam ouvir a voz de João Paulo II, tal como saberão ouvir a voz de Bento XVI. AE – Gostaria de deixar um apelo aos jovens nesta Semana dos Seminários? AFS – Gostava de dizer aos jovens que a Igreja conta com eles e a comunidade precisa deles. Estou certo de que não faltarão nos nossos seminários vocações decididas e generosas. Olho para esta problemática vocacional com esperança. Clero, Seminários e Vocações Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...