Iraque: Fundação Ajuda à Igreja que Sofre destina quatro milhões de euros aos cristãos deslocados
Campanha contempla «presentes de Natal» para as crianças que fugiram do Estado Islâmico
Lisboa, 16 out 2014 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) vai começar uma campanha de ajuda humanitária, com quatro milhões de euros destinados a “12 projetos concretos” para cristãos iraquianos deslocados que fugiram do Estado Islâmico.
A fundação pontifícia decidiu, a nível internacional, “o envio imediato de uma ajuda de emergência de apoio a nível de alimentação, abrigo, educação, auxílio ao trabalho pastoral para os sacerdotes e irmãs, e que inclui, até, presentes de Natal para as crianças”, revela a organização em Portugal, em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.
A AIS explica que a “aproximação do rigoroso inverno obriga a tomar decisões urgentes” e calcula que “cerca de 120 mil cristãos” estão deslocados depois de “terem sido expulsos” de suas casas pelos militantes do Estado Islâmico de Mossul e restantes cidades e aldeias na planície de Nínive, no Iraque.
Nesse sentido, a fundação revela que cerca de dois milhões de euros são destinados a oito escolas pré-fabricadas para Ankawa e Dohuk, “capazes de acolherem cerca de 15 mil crianças”.
Vai ser também apoiada a distribuição de alimentos para as comunidades deslocadas com um custo de cerca de 600 mil euros e a comparticipação “no alojamento de famílias em Ankawa e Dohuk” em 400 mil euros.
Ainda na região de Ankawa, a AIS vai “fornecer 150 casas pré-fabricadas para serem usadas “como alojamento” num projeto que tem um orçamento de cerca de 400 mil euros.
Com a proximidade do Natal as crianças também vão receber presentes como lápis, cadernos para colorir e livros catequéticos como as Bíblias para Crianças mas também roupa, casacos e meias.
A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre conta com o apoio das estruturas locais da Igreja para esta iniciativa natalícia e disponibilizou “o equivalente a 295 mil euros”.
Nesta campanha de emergência estão ainda destinados “estipêndios de Missa para mais de 100 sacerdotes” que continuam a desenvolver o seu trabalho pastoral com os cristãos deslocados, num “valor global de mais de 8O mil euros”.
Os 28 seminaristas do Seminário de São Pedro, em Ankawa, também vão receber cerca de 40 mil euros.
A fundação pontifícia informa ainda que vai atribuir uma “ajuda de emergência” às Irmãs do Sagrado Coração, deslocadas de Mossul, à Faculdade de Filosofia e Teologia em Ankawa, e apoiar a catequese de 20 paróquias “em toda a cidade de Bagdade”, no Iraque.
Para o padre Andrzej Halemba, responsável pelos projetos da AIS para o Médio Oriente, destacou que “esta é uma oportunidade única” para que estas comunidades sobrevivam “aos rigores do inverno”.
A ajuda é coordenada pelo arcebispo caldeu de Mossul, Amel Nona, “uma das cerca de 500 mil pessoas forçadas a fugir em Junho”, que também é o responsável pelo Comité de Emergência formado pelos bispos iraquianos.
“Muitas destas famílias estão abrigadas em tendas que não estão preparadas para o frio nem a chuva ou encontram-se alojadas em edifícios públicos que foram convertidos em espaços de acolhimento havendo relatos de mais de 20 pessoas estarem a dormir no mesmo quarto”, informa a fundação.
A campanha de ajuda humanitária é considerada como “uma das maiores de sempre” nos 67 anos da fundação pontifícia e surge na sequência da visita de uma delegação da AIS às comunidades deslocadas que “vivem em campos de alojamento provisórios”.
AIS/CB
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