Vaticano: Papa Francisco vai receber delegação de médicos da Venezuela
Cidade do Vaticano, 09 jun 2016 (Ecclesia) – Gotardo Ardila, representante da Federação Médica da Venezuela, revelou que o Papa Francisco vai receber hoje uma delegação de médicos que vão relatar a crise "humanitária, sanitária e clínica" vivida no país sul-americano.
A Rádio Vaticano divulga que o Gotardo Ardila explicou que o objetivo do encontro com o Papa Francisco é informá-lo da realidade Venezuela e “não tratar de temas políticos” porque não são da competência da Federação Médica Venezuela.
Por sua vez, o presidente da Federação, Douglas León Natera, referiu-se à falta de medicamentos na Venezuela dando um exemplo pessoal e revelou que usou “remédios veterinários” com a própria mãe que tem 95 anos.
Segundo o médico faltam, pelo menos, “40 remédios essenciais” e nas farmácias encontram-se apenas “cinco remédios de uso habitual”.
O presidente da Federação Médica Venezuela referiu também que faltam medicamentos oncológicos, anti doloríficos e de emergência para “cardiopatas” e “diabéticos” e alertou para uma verdadeira “tragédia sanitária”.
Por sua vez, a Cáritas Venezuelana tem recebido um pedido que está a tornar-se recorrente por parte de pessoas e hospitais que necessitam de “suprimentos médicos básicos” para procedimentos médicos de rotina, como “ligaduras e medicamentos, água destilada para os nebulizadores utilizados no tratamento da asma”.
O Governo da Venezuela, presidido por Nicolás Maduro, bloqueou a presença da Cáritas nacional na internet, através do seu sítio online, bem como os telefones, em maio, e já tinha bloqueado as atividades desse organismo da Igreja Católica no país.
O presidente da Conferência Episcopal Venezuela, assinalou que a Igreja Católica está “cada vez mais preocupada” pela “gravíssima situação no país”.
O arcebispo de Cumaná, D. Diego Rafael Padrón Sánchez, tem alertado para os perigos da “violência” numa “explosão social”.
O jornal do Vaticano ‘L’Osservatore Romano’ informa que no último semestre de 2015 e em 2016, a má nutrição infantil atingiu 30% da população, segundo uma amostra de quatro mil crianças de diversas escolas do país.
Com inflação de mais de 700% a “dramática” situação económica e social atinge em particular as faixas mais vulneráveis da população venezuelana e a maior parte das famílias não tem dinheiro para comprar alimentos.
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