Nacional

A Igreja perseguida na China

Octávio Carmo
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A presença da Igreja Católica na República Popular da China continua a ser um dos maiores desafios à acção missionária da primeira. A observação é consubstanciada pelo testemunho do Jesuíta Henrique Rios, especialista nesta área que residiu no território de Macau durante vários anos. “Os católicos são levados pela polícia, são interrogados durante dias por uma justiça revolucionária que é muito célere: vão logo para campos de concentração, campos de trabalho, e há muita gente que desaparece”, revelou durante o encontro “A Mensagem de Fátima no âmbito da Igreja do silêncio na China”, organizado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. A Igreja Católica na China, que permanece na clandestinidade, tem cerca de 5 milhões de fiéis. Apesar das perseguições, estas pessoas não abdicam da sua missão evangelizadora. “É uma Igreja que sofre, que está junto dos que sofrem e faz a evangelização possível, apoiada em obras caritativas. O Vaticano fica na situação complicada de não poder abandonar as pessoas que dão este tipo de testemunho, mas precisa de criar uma plataforma de entendimento com a China”, explica o Pe. Henrique Rios. A abertura demonstrada pelo regime chinês em algumas das regiões autónomas parece ser um dos sinais mais positivos neste percurso de concretização da liberdade religiosa. Para este especialista “essas realidades são importantes, pequenas parcelas onde é permitida alguma liberdade, consagrada na lei básica de Macau e Hog Kong por exemplo”. A DESCRISTIANIZAÇÃO COMO AMEAÇA O assistente eclesiástico da Fundação, Pe. Jacinto Farias, que orientou o debate neste encontro, explicou à ECCLESIA que a própria sociedade portuguesa cerceia a acção da Igreja Católica, remetendo-a para a esfera do privado numa perseguição silenciosa. “O nosso trabalho na área da educação e da saúde, por exemplo, é limitada do ponto de vista das instituições. Do ponto de vista católico isso é uma questão grave, porque a Igreja não é uma instituição privada, mas de direito internacional”.


Fundação AIS