Bento XVI manifestou-se contra o aborto e a eutanásia, considerando que a vida humana é “inviolável”.
“É preciso sublinhar a dignidade inviolável da vida humana, desde a concepção ao seu fim natural”, escreve o Papa numa mensagem dirigida aos Bispos italianos, reunidos em assembleia plenária quando o seu país discute a utilização da pílula abortiva RU-486. Em Portugal, a pílula do dia seguinte vai passar a ser dispensada gratuitamente nos centros de saúde e hospitais a partir de 1 de Dezembro.
Os Bispos italianos manifestaram-se contra a tentativa de introduzir a RU-486 em algumas regiões do país, definindo essa intenção como “mais um passo em frente no percurso que tende a não fazer entender a verdadeira natureza do aborto, que é e continuará a ser a supressão de uma vida humana inocente”. No mesmo dia, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, dizia que “a vida de cada pessoa humana nunca poderá ser sujeita a votação”, em referência ao referendo sobre o aborto que se perspectiva para 2006.
“A Igreja nunca pode renunciar ao direito e ao dever de defender a vida, desde a concepção até à morte natural, defendendo ser a família o contexto vocacional e comunitário onde mais originariamente se possibilita o seu crescimento e a sua dignidade”, explicava o presidente da CEP.
Eutanásia
A mensagem que o Papa enviou aos Bispos da Itália criticava, por outro lado, os que defendem a “eliminação do sofrimento recorrendo à eutanásia”. Neste sentido, Bento XVI pede uma resposta decidida da Igreja, promovendo e sustentando “as instituições católicos que tanto fazem no âmbito da saúde e da assistência”.
Comentando um dos temas que será discutida na assembleia do episcopado italiano, a pastoral da saúde, a mensagem papal sublinha que “a doença coloca graves e complexos problemas à organização social e representa um dos principais capítulos do serviço que deve ser garantido aos cidadãos”.
“A Igreja é chamada a exprimir solidariedade e atenção para com aqueles que enfrentam a prova da doença, em primeiro lugar ajudando a não ver a doença e mesmo a morte como uma negação do ser humano”, conclui.