Ao encontro de Portugal emigrado Octávio Carmo 20 de Maio de 2003, às 18:41 ... Um paÃs de emigrantes que espalha a dimensão mariana da sua vivência católica um pouco por todos os cantos do mundo: são assim os portugueses e a agenda da Igreja Católica em Portugal fica marcada no, mês de Maio, pelas visitas à s comunidades portuguesas no estrangeiro. D. Januário Ferreira, D. António Rafael, D. António Montes, D. Antonino Eugénio, D. Manuel Martins, D. Manuel Pelino, D. Manuel Quintas, D. Teodoro Faria são alguns dos Bispos que se deslocam ao estrangeiro para enviar uma palavra de apoio e apreço. O Pe. Rui Pedro, director da Obra Católica Portuguesa de migrações (OCPM) explica à Agência ECCLESIA que “desde o 25 de Abril até ao dia das comunidades, 10 de Junho, há muita movimentação nas comunidades portuguesas, sobretudo nas celebrações do 13 de Maio. Há já alguns anos a OCPM tem recebido pedidos para enviar sacerdotes que visitem as comunidades e nós apostamos neste tempo forte para restabelecer laços.†“O mérito é dos próprios emigrantes, porque se organizam para financiar as visitas, porque os consulados geralmente não dão nenhum apoio. Por causa do esforço de alguns leigos, sobretudo mulheres, o nome de Maria é honrado por todo o mundoâ€, refere. O director da OCPM passou a Semana Santa na Alemanha, indo depois até à ilha de Jersey, no Reino Unido, onde há um pedido explÃcito para o envio de um sacerdote português. “10% da população local são portugueses, com uma grande comunidade madeirense, e há necessidade de formação de leigos, de catequese. Além disso, as dificuldades linguÃsticas afastam e isolam as pessoasâ€. O Pe. Rui Pedro passou, depois, pela periferia de Paris, onde se realiza a mais antiga peregrinação-Festa a Nossa Senhora de Fátima e no PaÃs Basco, onde há um grupo de portugueses que celebra o 13 de Maio com uma festa que envolve também a comunidade local. Estas experiências trazem à baila a necessidade de se fazer um acompanhamento das comunidades portuguesas, mormente num momento em que a Europa abre as suas fronteiras: “a maior mobilidade faz com que os trabalhadores portugueses desempenhem as actividades que faziam no nosso paÃs, mas em melhores condições e com melhor remuneração. Pescar no PaÃs Basco, fazer a vindima na França, colher morangos em Agen ou cultivar a terra em La Rioja é muito mais lucrativo do que fazer a mesma coisa em Portugalâ€. Este tipo de trabalho temporário traz consigo a dificuldade acrescida da falta de integração dos emigrantes na comunidade local, tanto a nÃvel civil como religioso, pelo que a Igreja não os consegue detectar. “Esta situação é agravada pelas redes de subcontratação, que coloca os trabalhadores numa situação ilegalâ€, acusa o Pe. Rui Pedro. O perfil do emigrante português também começa a alterar-se, começando a aparecer nas comunidades problemas que até agora não eram associados aos nossos conterrâneos, como a toxicodependência, a criminalidade. “Há graves problemas de desajuste familiar, de endividamento, de droga, que criam problemas na comunidade e são mal recebidos pelos emigrantes instalados há mais tempo.†Por tudo isso, o director da OCPM diz que “na emigração podemos ver que tipo de evangelização está a ser feita em Portugal e que tipo de problemas sociais tem o nosso paÃs. Uma paróquia que não forma cristãos com a consciência de que muitos poderão, amanhã, ir para outros paÃses e lá se deverão integrar nas comunidades locais, está a negligenciar uma dimensão importante para a vida dos nossos diasâ€. O facto de, durante muitos anos, se terem enviado sacerdotes portugueses para acompanhar as comunidades de emigrantes criou, em determinadas circunstâncias, situações de isolamento. “Acontece que se perdeu nos leigos a consciência de missão, em conjunto com a Igreja localâ€, revela o Pe. Rui Pedro. Neste momento são necessários 15 sacerdotes para as missões junto das comunidades portuguesas, mas o director da OCPM não tem grandes esperanças que seja possÃvel dar resposta aos pedidos. “Na última reunião da Comissão Episcopal para as Migrações e Turismo foi abordado o tema, mas não se vislumbram soluçõesâ€, constatou. Migrações Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...