D. Jorge Ortiga abriu ontem as comemorações do bicentenário da morte de D. Frei Caetano Brandão com a celebração de uma eucaristia no Colégio de S. Caetano, uma das obras sociais fundadas por aquele que foi arcebispo de Braga entre 1789 e 1805. O prelado bracarense aproveitou a homilia para desafiar os alunos, professores, funcionários e demais responsáveis de entidades presentes a seguirem o exemplo de Frei Caetano – que ficou conhecido como “o arcebispo dos pobres” – no «dever de partilhar e oferecer o melhor de cada um em favor dos mais necessitados».
O programa das comemorações do bicentenário prolonga-se até domingo, sendo que a celebração de ontem era especialmente dedicada aos cerca de 100 alunos, que fazem daquela instituição a sua casa e a sua família. «Esta é a vossa casa, pelo que o exemplo de Frei Caetano deve servir para o aperfeiçoamento diário de cada um de vós», afirmou D. Jorge dirigindo-se às crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos.
O arcebispo destacou a preocupação do antigo titular da igreja bracarense com os que mais precisavam do seu tempo, «partilhando o melhor que tinha, sobretudo com as crianças e com os pobres, para que os outros pudessem ser mais felizes». Perante os alunos, alguns dos quais órfãos e outros oriundos de famílias desestruturadas ou de risco, D. Jorge Ortiga destacou principalmente a importância do papel da família nos dias de hoje.
Crescer em “família” para o amor
«Esta também é uma vida de família para além da família de sangue, pelo que desejo que o ambiente desta casa se torne cada vez mais consistente e mais sólido, para que seja uma família onde prevaleça sobretudo o amor», realçou o prelado, que pediu aos presentes para rezarem «para que estas casas sejam cada vez menos precisas» e que os jovens que por ali passam «cresçam e sejam capazes de formar famílias boas e onde reine o amor».
«É preciso serdes homens e mulheres devidamente formados, para que no futuro sejais capazes de trabalhar e lutar por um futuro melhor», reforçou D. Jorge Ortiga, exortando as crianças e os jovens a olharem, duzentos anos depois, para Frei Caetano Brandão como «aquele que ensinou a arte de amar aos mais frágeis e desamparados e que trabalhou para fazer do mundo uma família».
O arcebispo de Braga considerou, por isso, que as comemorações do bicentenário são uma «homenagem ao homem que iniciou o Colégio de S. Caetano, ao que ele fez e ao que os presentes podem continuar a fazer todos os dias».
D. Jorge Ortiga recordou de forma especial «todos os que norteados por Frei Caetano serviram aquela instituição, tanto os que já faleceram como os que hoje também fazem o melhor que podem e partilham o melhor que têm para que nada falte aos que deles precisam». À eucaristia de ontem, onde participaram os membros da Comissão Promotora do bicentenário, representantes da Câmara e do Governo Civil, seguiu-se a Festa de Natal do Colégio de S. Caetano, com a tradicional ceia, um sarau cultural e a distribuição de prendas.
Simpósio arranca hoje no Largo do Paço
Hoje, dia 16, começa o Simpósio do Bicentenário, no salão nobre da Universidade do Minho, no Largo do Paço, local onde outrora Frei Caetano viveu. O programa arranca pelas 9h30, com a presença do reitor da Universidade do Minho, Guimarães Rodrigues, e de António Sousa Fernandes, director da Revista Bracara Augusta”.
O vice-reitor da UM, Viriato Capela falará de seguida acerca da “Extinção da Relação Bracarense” e o director da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica, Oliveira Ramos, abordará “A actualidade de D. Frei Caetano Brandão”. Segue-se uma “mesa redonda” sobre “D. Frei Caetano Brandão e o seu tempo” com a participação de José Paulo Abreu (Faculdade de Teologia), Maria do Rosário Azevedo Cruz (Universidade de Lisboa) e Zília Osório de Castro (Universidade Nova de Lisboa). De tarde, a partir das 15h00, Franquelim Neiva Soares (UM) fala das “Pastorais de D. Frei Caetano Brandão”, o padre Ronaldo Meneses (chanceler da Arquidiocese de Belém do Pará) de “D. Frei Caetano Brandão em Belém do Pará”, Elisa Lessa (UM) da “Música no tempo de D. Frei Caetano Brandão” e Aurélio de Oliveira (Universidade do Porto) dos “Sombreireiros de D. Frei Caetano Brandão”.
À noite, a partir das 21h30, há um concerto de música sacra ao tempo de D. Frei Caetano Brandão, na Sé de Braga. O Simpósio continua amanhã de manhã na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica. À tarde, haverá a inauguração de um busto na EB 2,3 Frei Caetano Brandão, segue-se, no Colégio de S. Caetano, a abertura de uma exposição e um concerto pelo “Ensemble dos Biscainhos”.
As comemorações oficiais encerram no Domingo de manhã, com um Pontifical na Sé de Braga e romagem ao túmulo.