«A actividade caritativa da Igreja tem de manter todo o seu esplendor e não dissolver-se numa organização assistencial comum, tornando-se numa simples variante da mesma». Foi esta a ideia que pautou ontem a terceira conferência quaresmal, proferida na Catedral, pelo Arcebispo de Braga.
Referindo-se ao perfil específico da acção sócio-caritativa da Igreja, D. Jorge Ortiga recordou que, para além da «formação profissional, os agentes necessitam também da equivalente “formação do coração”».
Na celebração, que contou com a presença de dezenas de fiéis, o prelado bracarense começou por dizer que, «na lógica do Samaritano, a caridade cristã é resposta às necessidades imediatas que surgem em qualquer situação ou lugar» e que, «se no passado surgiram iniciativas ou instituições», é preciso que hoje se dê «respostas novas a problemas novos».
Por exemplo, «na área da saúde é necessária a competência profissional. Mas esta não basta. Os utentes são seres humanos que necessitam de algo mais: “precisam da atenção do coração”. Quem trabalha nas instituições da Igreja não pode limitar-se a “executar” habilidosamente a acção técnica conveniente… também precisa de testemunhar a riqueza da humanidade », recordou o responsável eclesiástico, que, tal como nas conferências quaresmais anteriores, delineou a sua reflexão a partir da Encíclica “Deus caritas est”, de Bento XVI.
Para o Arcebispo Primaz de Braga, «a Igreja terá de conduzir os profissionais das instituições de solidariedade ao encontro com Deus em Cristo, de tal maneira que o amor ao próximo não seja um mandamento imposto, mas uma consequência resultante da fé».
D. Jorge Ortiga não quis terminar a conferência sem se reportar à importante acção das famílias nos sectores social e caritativo, pois «quando este amor passa para os próprios agregados, todos irão sentir a sua beleza e verão que só a família é o futuro para a Igreja e, a partir desta, para a própria humanidade».