Nacional

As doenças sociais de um país à beira mar

Nuno Rosário Fernandes
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Estudo das Instituições de Solidariedade identifica carências na sociedade portuguesa

O analfabetismo, o alcoolismo, a toxicodependência e o desemprego são os principais problemas detectados no nosso país através de um estudo realizado pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), concluído em 2003 e agora tornado público pelo jornal on-line «Solidariedade» daquela Confederação. Este estudo «Caracterização Social, Económica e Cultural das Freguesias» faz um levantamento social das carências da população portuguesa em geral e procura ser um “contributo ao governo e à sociedade para poder desenvolver melhor a rede social”, disse à Agência ECCLESIA, o Pe. Francisco Crespo, presidente da CNIS. Segundo este responsável, esta radiografia ao país surge como resultado de uma preocupação sentida, pelo facto de “o Governo através da rede social não atingir os objectivos” que pensavam que fossem atingidos, “de detectar a situação de pobreza, de solidão, e ao mesmo tempo de fazer o levantamento dos equipamentos sociais existentes que estavam ou não a ser utilizados”. Este estudo indica que “em muitos locais há equipamentos suficientes para dar resposta à população mas estes não estão devidamente enquadrados, isto é, foram construídos equipamentos sem ter um conhecimento prévio das necessidades”, comentou à Agência ECCLESIA. Mas a publicação deste estudo ainda não aconteceu “por falta de apoio do governo”, e não terá atingido os objectivos pretendidos porque, lamenta aquele sacerdote, “esperávamos que houvesse um posterior trabalho a executar, numa linha de criação de uma dinâmica de rede social, onde estivessem envolvidas todas as forças vivas”. Dada a importância deste levantamento o presidente da CNIS espera que este não fique apenas nas bibliotecas, que haja “um compromisso da parte do Governo para avançar na resolução dos maiores problemas da população portuguesa”, e manifesta ainda o desejo de que “haja uma maior abertura para que as instituições não estejam limitadas a dar resposta pelas tradicionais valências”, acrescentou. Perante estes resultados a Igreja não pode deixar de ser interpelada porque, considera o Pe. Francisco Crespo, “não é possível separar evangelização, liturgia, da caridade”, e por isso mesmo lamenta o facto de existirem paróquias que não têm capacidade para desenvolver acção social no seu próprio meio. Organizado por regiões e distritos esta radiografia social demonstra, segundo os responsáveis que a realizaram, “que há novos problemas que estão a descoberto da solidariedade e da iniciativa quer do Estado quer da sociedade civil e permite corroborar o diagnóstico das doenças de um desenvolvimento desequilibrado que favorece o litoral e o urbano”, explicam na edição online do «Solidariedade». A investigação teve por base um questionário telefónico a mais de 23 mil pessoas, e abrangeu 396 freguesias, cerca de 10% do total nacional (4260).


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