D. António Marcelino critica polémicas em torno da Casa do Gaiato
D. António Marcelino considera que os poderes públicos devem estar mais preocupados em oferecer mais e melhor protecção às crianças e aos menores do que “com frequentes inspecções e vistorias a instituições privadas, aí onde as crianças são amadas e se preparam seriamente para a vida”. O cometário do prelado, publicado no semanário diocesano “Correio do Vouga” apresenta, sem se referir directamente ao caso, uma dura crítica às polémica que têm envolvido a Casa do Gaiato.
Saudando a preocupação dos poderes públicos e de diversas associações, D. António Marcelino lembra que “milhares de crianças vivem na rua, deixaram a escola, não têm família que as cuide e as eduque, crescem na aprendizagem diária de caminhos sem sentido e de exclusão, são exploradas por adultos que deixaram endurecer o coração”.
“São estas, certamente, as que necessitam e merecem maior cuidado e acção no que ainda é possível, por parte de todos, mas muito especialmente dos serviços estatais”, atira.
Nesse sentido, e lembrando o que aconteceu em torno da Casa do Gaiato, D. António aponta o dedo a “leis e portarias de protecção” que são feitas “de cima para baixo”.
“A bateria de técnicas inspectoras aprendeu a cassete imposta por quem vive noutro mundo e nunca sujou as mãos, nem falou ou viveu, ainda que só umas horas, com crianças que nasceram e cresceram na dor; os inquéritos pretendem somente resposta aos quadradinhos que os inteligentes sonharam, desenharam e decretaram; a obsessão técnica e das técnicas torna-se irrespeitosa e ridícula, como se quem não fez curso nem é doutor, nada saiba de educação e recuperação de crianças degradadas e filhas da degradação”, acusa.
“A estratégia do cuco que, nos ninhos que outros fazem choca os ovos que outros põem, mas canta sempre, não pode ser a da política social”, acrescenta.
O artigo conclui com um elogio às “instituições indispensáveis, com provas dadas e uma história respeitável”, como a Casa do Gaiato.
“As crianças querem quem as ame, as compreenda, sofra e se alegre com elas. Só teorias, não aquecem corações nem abrem caminhos, mesmo sendo válidas”, escreve o Bispo de Aveiro.