Bispo de Viseu pede respeito pela pluralidade da sociedade Agência Ecclesia 15 de Abril de 2005, às 11:01 ... “A laicidade faz parte da Doutrina Social da Igrejaâ€, “o Estado é laico, mas a sociedade civil é plural no que respeita à religiãoâ€, “o fenómeno religioso tem valor cultural e social†- afirmações do Bispo de Viseu, nas Jornadas Teológicas da Paróquia do Coração de Jesus “Fé, Cidadania, Eclesialidadeâ€, temas que estiveram em reflexão, nos dias 9 e 10 de Abril, na paróquia do Coração de Jesus, em Viseu. A primeira conferência, “ Fé e tarefa na responsabilidade polÃtica†foi confiada ao Prof. Doutor Oliveira Martins. “Fé: herança ou decisão?†foi a pergunta tratada e respondida pelo Doutor Frei Bento Domingues. “Fé, economia e dignidade humana†esteve a cargo da Doutora Manuela Silva. No dia 10, para além de presidir à Missa paroquial, concelebrada pelo pároco, Pe Milton Encarnação e pelo Pe. Júlio Homem, D.António Marto falou sobre “A eclesialidade: um desafio para a fé?â€. No inÃcio da tarde e a abrir o painel, subordinado ao tema “Fé cidadania: o reino de Deus e o reino de Césarâ€, o Bispo de Viseu falou da relação entre a igreja e comunidade polÃtica, a partir da frase evangélica: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é Deusâ€. Afirmou que “Jesus reconhece ao poder polÃtico autonomia e legitimidade, embora dizendo que o Estado não é Deus. Só Deus é Deus! Há aqui um jogo entre a imagem de César e do Homem. A moeda cunhada com a imagem de César, que seja de César! O homem, marcado pela imagem de Deus (Gn 1,27), traz consigo a marca da divindade e, por isso, devedor de si mesmo só a Deusâ€. “O Estado - sublinhou o Bispo de Viseu - é para a pessoa e para sociedade e não a pessoa e a sociedade para o Estado. O Estado é um instrumento ao serviço da pessoa humana. Por isso S.Paulo na Carta aos Romanos (13, 15) reconhece a autoridade pública como “ministério (serviço) criado por Deus para o bem comumâ€. Situamo-nos, segundo D.António Marto, naquilo que hoje se designa por “direito fundamental à liberdade religiosaâ€, que contém três vertentes: a nÃvel individual (ninguém pode ser coagido fÃsica ou psicologicamente, em ordem a qualquer opção religiosa); social-comunitário (como ser naturalmente social o homem tem o direito de se associar para fins religiosos …); polÃtico – a laicidade do Estado. Foi neste último aspecto que a reflexão de D.António Marto se centrou:“O Estado não é confessional. Isto significa a não ingerência, nem do Estado na esfera do religioso e nem da religião na esfera da gestão do Estado. Mas afirmar que o Estado é laico não significa que o Estado fica isento de prestar atenção ao fenómeno religioso. O Estado é laico, mas a sociedade civil é plural no que respeita à religião. O fenómeno religioso tem valor cultural e socialâ€. “O princÃpio da laicidade – afirmou a concluir D.António - faz parte da Doutrina Social da Igreja. Trata-se da autonomia da esfera do polÃtico e do religioso. Refere-se, ainda, à não confessionalidade do Estado e permite que todas as componentes da sociedade trabalhem juntas ao serviço de todos. Longe de ser um lugar de confronto, a laicidade é verdadeiramente o espaço para um diálogo construtivo. Bem diferente é o conceito de “laicismoâ€. Trat-se de uma ideologia que remete a religião para a esfera privada da consciência de cada um e na melhor das hipóteses para a expressão do culto nas igrejas, não reconhecendo ao facto religioso qualquer relevância social ou cultural. As religiões são dispensáveis e o Estado está desobrigado de lhes prestar atenção ou apoioâ€. Diocese de Viseu Diocese de Viseu Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...