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Bispo do Porto defende educação para uso do poder de escolha

Diário do Minho
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O Bispo do Porto defendeu ontem que é urgente em Portugal uma grande obra educativa e cultural «que abranja a educação dos consumidores para o uso responsável do seu poder de escolha», sobretudo numa sociedade onde o sistema económico em si mesmo não possui critérios que permitam distinguir correctamente as formas novas e mais elevadas de satisfação das necessidades humanas, artificialmente criadas que se opõem à formação de uma personalidade madura. Falando nas Jornadas Pedagógicas do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos do Centro Regional de Braga da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, subordinadas ao tema “Escola Sucesso e Excelência”, D. Manuel Clemente disse acreditar residir nesta ideia, alargada a todo tipo de bens, «o critério mais seguro de sucesso e de excelência, para uma escola imbuída de humanismo, e humanismo cristão». Segundo o prelado, «o nosso tempo exige uma intensa actividade educativa e um correspondente empenho por parte de todos, para que a investigação da verdade, não redutível ao conjunto ou a alguma das diversas opiniões, seja promovida em todos os âmbitos e prevaleça sobre qualquer tentativa de relativizar as exigências ou de causar qualquer tipo de ofensa». Para D. Manuel Clemente, na procura, no compromisso e no acreditar na verdade, a contribuição do cristianismo resume-se bem na interpelação que Cristo nos lança, ou seja, de que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder-se a si mesmo. «Interpelação que ultrapassa os limites da confessionalidade estrita para se repercutir no universo das consciências. Mas que deve estar presente, como fio condutor em toda a escola, rumo a um sucesso seja antes de mais os das próprias vidas, e uma excelência que se aproxime da totalidade, não do fragmento», acrescentou. Para o Bispo do Porto, hoje, apesar do muito que ainda falta, as pessoas dispõem do que nunca dispuseram em meios como os que existem actualmente. Daí que o maior desafio da escola e da educação, salientou, «seja, precisamente, a coexistência do mercado e da dispersão». «As sondagens mostram que um dos maiores passatempos dos rapazes a partir dos 17 anos é ver montras, em que mais são olhados e atraídos como consumidores do que se olham a si mesmos como indagadores e criadores», realçou. Assim, na opinião do prelado, qualquer sucesso educativo deve ser traduzido numa maior capacidade de discernir e escolher bem, «sábia e responsavelmente, como quem tem de responder pela escolha perante si e perante os outros». Imprensa e o ensino Nestas jornadas, o director do jornal “Público” foi convidado a falar sobre o que pode fazer a imprensa pela qualidade de ensino, realçando, desde logo, que a imprensa, só por existir já faz muito por essa qualidade. Contudo, realçou, há outras respostas. «A imprensa pode reflectir e ajudar com projectos concretos», disse, referindo a actividade que o seu jornal tem vindo a desenvolver junto das escolas. No entanto, salientou José Manuel Fernandes, o mais importante é a imprensa funcionar como divulgadora das boas práticas que acontecem no ensino, dando como exemplo a elaboração e divulgação do ranking das escolas. Segundo explicou, os estabelecimentos de ensino viram um estímulo na publicação destas listas graduadas, havendo outros casos em que as autarquias passaram a olhar de uma outra forma e a importar-se com as suas escolas. Para o director, estas tabelas também deveriam tornar o próprio Ministério da Educação mais exigente. José Manuel Fernandes vai mais longe. O ranking devia mesmo ajudar o Ministério a mudar as escolas com mais necessidades, o que, na sua opinião, não se tem verificado. Na sua perspectiva, o ranking não é apenas tabelas, mas também histórias de escolas, realçando, depois, que é importante que os pais conheçam estes resultados porque podem exigir mais dos estabelecimentos de ensino.


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