Prelados publicam mensagem para que os incêndios do verão passado não sejam esquecidos
Os Bispos do Centro publicaram hoje uma mensagem sobre a aproximação do Verão e o risco previsível de novos incêndios, onde manifestam a sua preocupação em relação ao futuro e exigem que todas as partes envolvidas assumam as suas responsabilidades.
“Os incêndios não são um fatalismo”, pode ler-se no texto, com o título “Depois dos incêndios, cuidados para o futuro”, assinado pelos Bispos de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria, Portalegre-Castelo Branco e Viseu.
“As desgraças depressa se esquecem, os novos cuidados podem retardar e as mentalidades de muitos, marcadas pela rotina, mudam vagarosamente”, alertam os Bispos.
D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra, adiantara já à Agência ECCLESIA que a mensagem se iria dirigir aos “responsáveis pela prevenção” e, particularmente, “às comunidades cristãs”, no sentido de terem vivos os valores da prevenção e do apoio ao combate dos incêndios. De facto, este documento - fruto de uma reunião no dia 22 de Março, em Coimbra-, pede um esforço colectivo, desde os proprietários das florestas e matas à coordenação entre bombeiros, entidades de protecção civil e populações.
Um recado especial é deixado ao Estado, a quem se recorda que a resposta de acções técnicas, meios adequados e medidas legislativas “compete aos poderes públicos, que não a podem retardar”, pode ler-se.
“Devem, por isso, sentir-se activos, tanto na prevenção adequada dos incêndios e de outras calamidades, como na resposta rápida, quando necessária, para responder e minimizar os efeitos, pessoais e materiais, das desgraças ocorridas”,.
“As precauções desejadas e procuradas, têm de chegar a tempo, ser operativas e envolver, de modo responsável, os proprietários das florestas, os serviços do Estado com os seus técnicos e mais formas de apoio, as associações de bombeiros, as populações, as autarquias e outras instituições do meio”, acrescentam os prelados.
Os Bispos não deixam de alertar para o perigo de “acções heróicas” efectuadas a título pessoal, vincando que “o individualismo é sempre pobre e empobrecedor e pode até tornar-se suicida e factor de perigo para os outros”.
A mensagem dirige-se também às comunidades católicas, com orientações específicas para os párocos. Pede-se-lhes que esclareçam as populações e as incentivem a estar atentas e colaborantes.
“Recomendem a sua inscrição nas associações dos bombeiros locais e noutras que defendem o património em todas as suas expressões e riqueza, e ajudem-nos a adquirir, para a vida do dia a dia, hábitos mais consentâneos com a promoção dos valores morais, que lhes permitam uma vivência solidária e responsável em comunidade”, apontam os responsáveis pelas dioceses do Centro.
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