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«Brexit»: Que consequências para o esforço europeu em relação aos refugiados?

Agência Ecclesia
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Foto: Lusa
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Diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Portugal sublinha a necessidade de evitar «um nacionalismo centrado no egoísmo»

Lisboa, 24 jun 2016 (Ecclesia) – O diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Portugal salientou hoje a importância da saída do Reino Unido da União Europeia não significar o fim de um projeto europeu baseado na solidariedade e no acolhimento ao outro.

“É um tempo que exige coragem. Um aspeto positivo deste resultado é não darmos nada por garantido, não nos acomodarmos apenas aos aspetos tecnocráticos e financeiros da Europa. A Europa não é um mealheiro, não pode ser apenas interesses económicos, ela são as pessoas e é preciso redescobrir a alma da Europa”, frisou André Costa Jorge.

Esta sexta-feira ficou marcada pela decisão do Reino Unido, em referendo popular, de sair da União Europeia.

De acordo com os resultados divulgados, mais de 17 milhões de britânicos (52 por cento dos que votaram) disseram sim ao chamado “brexit”.

A saída da UE saiu vitoriosa em Inglaterra e no País de Gales, mas perdeu na Irlanda do Norte e sobretudo na Escócia.  

Numa entrevista à Agência ECCLESIA, esta sexta-feira durante a celebração dos 10 anos do Centro Pedro Arrupe, o diretor do JRS – Portugal considerou que chegou a hora de “pensar que Europa é que se quer”.

Quanto às consequências deste processo para o esforço que tem sido feito a favor dos refugiados, “elas poderão ser graves se a resposta dos políticos for de medo ou de fechamento”.

“Os políticos devem mostrar determinação, não podemos ceder às ondas xenófobas, ao medo, a um nacionalismo centrado no egoísmo. Seremos tão ou mais fortes quanto mais formos capazes de ir ao encontro do outro, de sairmos de nós”, sustentou aquele responsável, dando como exemplo o trabalho feito no Centro Pedro Arrupe.

Trata-se de uma instituição de acolhimento temporário para migrantes e refugiados, situada num bairro social da Ameixoeira, em Lisboa, e que desde 2006 prestou apoio a mais de 400 pessoas necessitadas, das mais diversas nacionalidades.

Para André Costa Jorge, os políticos fariam bem em “vir visitar e conhecer estas realidades, estes 10 anos de um espaço intercultural, este esforço feito diariamente para construir um espaço de comunhão e de paz".

“Estas vitórias que aqui temos, estes resultados, não se fazem sem investimento, sem esforço. Muitas vezes sentimos que aqueles que mais deveriam defender este objetivo, esta missão, estão focados em si próprios, nas suas agendas políticas, nos seus interesses mesquinhos, e pouco presentes e ao lado daqueles que querem fazer do espaço de todos um espaço para todos”, concluiu.

JCP