Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes denuncia «uma guerra camuflada» que afecta a sociedade moderna
O responsável da Santa Sé para as migrações, Cardeal Stephen Fumio Hamao, pediu hoje em Fátima “a construção de um mundo de paz e de fraternidade”, através do diálogo, para fazer face às ameaças que afligem o mundo de hoje – englobadas na sua homilia sob o título de “guerra camuflada”.
“Vivemos hoje sob o pesadelo de uma guerra camuflada, que nos esmaga num sentimento de medo. O terrorismo astucioso que pode ferir em toda parte e em cada instante; o problema não resolvido do Médio Oriente; as doenças que propagam o contágio e a morte; o grave problema da fome e outros tantos flagelos que ameaçam a sobrevivência da humanidade, a serenidade das pessoas e a segurança da sociedade”, referiu o Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes na homilia da Celebração Eucarística do dia 13 de Agosto de 2004, por ocasião da Peregrinação Internacional do Migrante e Refugiado a Fátima.
Defendendo a necessidade do diálogo entre as culturas, o Cardeal explicou que “vós, migrantes, sois portadores de um novo modo de dialogar: trata-se de um ‘diálogo de vida’, isto é, de um diálogo entre pessoas de diferentes culturas e religiões”.
“Um diálogo que significa, sobretudo, capacidade de conviver com os outros, de escutá-los, de compreendê-los, de aceitá-los com a sua mentalidade e que assim toca intimamente a experiência vivida pelas pessoas, as suas ansiedades e preocupações”, acrescentou.
Diante de milhares de emigrantes portugueses, oriundos de todos os continentes, que fazem de Fátima uma espécie de “Babel” à portuguesa, D. Hamao vincou que o migrante, “com a sua humildade e simplicidade de vida e com o seu sacrifício no trabalho quotidiano”, tem um papel fundamental para “converter o mundo à paz, à fraternidade, à solidariedade”.
“Num mundo dilacerado por tantos problemas que, são frequentes na experiência de cada dia da emigração (desigualdade das condições de vida, jovens sem trabalho, pessoas marginalizadas, idosos abandonados), é importante que todos nós nos sintamos responsáveis pelo crescimento e pela felicidade de todos”, apontou.
O Cardeal japonês abordou ainda na sua intervenção os perigos e dificuldades para os migrantes, enunciando “o problema da integração, cada vez mais difícil na nova sociedade; a relação cada vez mais problemática entre os pais e os filhos; a convivência entre os mesmos que se torna cada vez mais difícil e conflituosa, por causa da diferente cultura que os filhos recebem no novo ambiente; o problema da transmissão dos valores familiares na intervenção educativa; o problema da inserção dos filhos no processo escolar”.
A Peregrinação Internacional do Migrante e Refugiado a Fátima está integrada na XXXII Semana Nacional das Migrações, sob o tema “Consolidar a Paz para não ter que emigrar”.