Nacional

Cimeira em Lisboa discute Tratado Europeu

Lígia Silveira
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Secratário Geral da COMECE afirma que países precisam de trabalhar em conjunto para fazer face a problemas europeus

Os chefes de Estado e de Governo dos 27 países da UE estão hoje e amanhã em Lisboa, para a Cimeira onde se pretende viabilizar o texto final que substitui a falhada Constituição Europeia. Se for aprovado, o Tratado Reformador vai alterar a forma como o poder é exercido na União Europeia. Recentemente, em declarações à Agência ECCLESIA, D. Noel Treanor, secretário geral da COMECE - Comissão dos Episcopados Católicos da UE, manifestou que “nenhum país pode resolver sozinho os problemas que a população europeia enfrentaâ€. Problemas de desemprego e consequente criação de emprego, a imigração legal e ilegal, as alterações climáticas, a energia, o desenvolvimento nos países sub desenvolvidos, os direitos humanos, são exemplos que afectam localmente as populações. Por isso, “nenhum país separadamente pode enfrentar estes desafios sozinho. A única forma de sobreviver e de tornar a Europa num actor participante, a um nível mundial é se as instituições forem eficazes e fortes. É este o propósito do Tratadoâ€, explica, acrescentando estar confiante que até ao final da Presidência portuguesa da UE, “se chegará ao Tratado de Lisboaâ€. Simplificar e reforçar são as palavras, sublinhadas por D. Noel Treanor, que as instituições europeias precisam: a Comissão, o Parlamento, o Conselho. Mas alguns países manifestam ainda reticências. O secretário geral da COMECE refere um paradoxo actual na Europa. “Durante muito tempo a Europa trouxe resultados notáveis: deu-nos paz durante 50 anos, transferência de riqueza de países ricos para pobres, desenvolver infra estruturas de muitos países membros, criou emprego, segurança e introduziu um novo método de fazer política - igualdade entre os grandes e os pequenosâ€. Por outro lado, porque muitos cidadãos não conseguiram seguir o desenvolvimento da UE ou porque este não foi explicado adequadamente pelos políticos, “muitas pessoas desconfiam da UEâ€, factores que segundo o próprio podem ser trabalhados. “Desenvolver a confiança nos nossos cidadãosâ€, porque também quando os tratados fundadores foram assinados reinava a desconfiança. “Discussões muito difíceis precederam a assinaturaâ€, acrescenta. O processo de ratificação do Tratado ou por aprovação dos parlamentos ou por referendo precisa de “informação e discussão, mas acima de tudo, esclarecimentosâ€. E acrescenta que “fazer perceber que os 27 Estados estão envolvidos num futuro que querem partilharâ€. Os futuros nacionais serão “mais ricos se houver cooperação eficaz, e para isso precisamos das instituiçõesâ€, afirma salientando que é preciso “relembrar a sua importância. Ninguém nega a divergência em importantes questões. Mas elas resolvem-se não com guerra, mas com diálogoâ€. Este é um desafio para crentes e não crentes, independente da sua fé, pois “todas as fés partilham valores universais. São estes valores comuns a todos que precisamos de reflectir e de os enquadrar na política económica, social e culturalâ€.


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