A “propalada crise do Sacramento da Reconciliação” esteve no centro das Jornadas Pastorais do Clero da Diocese do Porto, que juntaram, na semana passada, cerca de uma centena de sacerdotes. A iniciativa foi orientada pelo Padre Dioniso Borobio, Professor da Universidade de Salamanca.
Os padres da diocese foram confrontados com as “permanentes e rápidas mudanças culturais do nosso tempo”, as quais, segundo o documento conclusivo destas Jornadas, exigem “um itinerário penitencial de toda a Igreja, nomeadamente nas diversas iniciativas que ela vem tomando em ordem à construção da justiça e da paz”.
O texto, enviado à Agência ECCLESIA, aborda a celebração individual do Sacramento, a confissão, recordando os seus elementos fundamentais e pedindo uma “séria catequização mistagógica da comunidade sobre a penitência e uma preparação esmerada das várias celebrações do sacramento que o Ritual nos apresenta”.
Os sacerdotes do Porto assumem a necessidade de “insistir, também, na importância que devemos dar à atitude penitencial na vida”.
Segundo os participantes nas Jornadas, é hoje “muito importante que o Povo de Deus descubra o sentido da Penitência como um processo que exige espaço e tempo, não só para expressar a sua estrutura fundamental, mas também para possibilitar a autenticidade da conversão”. Por isso, em algumas circunstâncias, é sugerido que se proponha “uma celebração da penitência espaçada no tempo (processo penitencial)”.
“As comunidades paroquiais deverão ter um calendário penitencial no qual se proponham os momentos, lugares e formas de reconciliação e celebração do Sacramento que se oferecem durante todo o ano litúrgico”, acrescenta o documento conclusivo.
Falando a toda a comunidade católica, os padres do Porto lembram que “a Igreja inteira deve esforçar-se em todos os momentos e circunstâncias por viver reconciliada e ser reconciliadora”.
“Seria de desejar a criação de centros de acolhimento e de reconciliação onde se pratique a escuta, o diálogo e o aconselhamento: serviço que poderá ser feito por sacerdotes, mas também por leigos devidamente reconhecidos para tal”, propõem.
Em conclusão, o documento deseja que as Jornadas sirvam como “ponto de partida para a renovação da celebração do Sacramento da Reconciliação e de toda a vida cristã, bem com da presença da Igreja na sociedade”.
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