Comunidade Vida e Paz: 20 anos de ajuda aos sem-abrigo Agência Ecclesia 20 de Abril de 2009, às 17:42 ... A Comunidade Vida e Paz celebrou este Sábado 20 anos de ajuda aos sem-abrigo. Um trabalho iniciado pela conjugação de sensibilidades e acompanhamento aos pobres de Lisboa no final da década de 80. Em 1989 o então Patriarca, D. António Ribeiro, promulgou os estatutos e deu forma jurÃdica à Comunidade Vida e Paz que no terreno já acompanhava pessoas em situações de fragilidade social. O Vice-Presidente da Direcção, Júlio Neves, recorda ao programa Ecclesia que em 1992, o Estado, através do Comissariado da Luta Contra a Pobreza, conferiu um subsÃdio que permitiu a Comunidade crescer. “Actualmente, a Comunidade Vida e Paz tem sede no centro de Lisboa, em Alvalade, e dispõe de três centros de recuperação, tratamento e reinserção de pessoas, preparados para acolher 270 pessoas. “Dispomos de instrumentos que nos permite trabalhar pela reinserção das pessoasâ€, adianta Júlio Neves, propondo a reinserção social que respeite a dignidade e vá de encontro à s necessidades da pessoa humana. A Comunidade Vida e Paz dispõe de 100 profissionais que ajudados por cerca de 400 voluntários estão disponÃveis para ouvir e acompanhar a realidade dos sem-abrigo. Todas as noites saem três equipas em carrinhas que percorrem as ruas da cidade de Lisboa, contactando os sem-abrigo, levando alimentos e vestuário, mas “essencialmente disponÃevis para conversar e estar com eles, mostrando-lhes ser possÃvel mudar a sua vidaâ€. Celestino Cunha, psicólogo da Comunidade Vida e Paz, responsável pelo trabalho de rua e pelas admissões dos sem-abrigo, acompanha esta franja da população na cidade de Lisboa desde 1993. “Acompanhei a chegada das equipas ao trabalho de rua e à sua procura na forma de melhor ajudar os sem-abrigoâ€. Pela experiência que tem, acompanhou as mudanças que a actual crise desencadeou, nomeadamente no aumento dos pedidos de ajuda e na mudança da população que acompanham. “A mais visÃvel engloba as famÃlias que sentem dificuldades para colmatar necessidades mais básicas e que, pela primeira vez, procuram ajudaâ€. Os pedidos de ajuda aumentam e, sensÃveis à s dificuldades, também as respostas parecem crescer. Celestino Cunha aponta que “toda a ajuda é bem vindaâ€. As ajudas menos profundas ou as motivadas por más razões “não ficam 20 anosâ€, adverte. “As ajudas que prevalecem têm uma base de confiança e respeitam as necessidades objectivas das pessoasâ€. Chegar à situação de sem abrigo relaciona-se com a falta de esperança, “a perda de ânimo e de vontadeâ€. O trabalho em rede “pode ajudar a não chegar a esta faseâ€, explica o psicólogo. Júlio Neves adianta que a comunidade trabalha com as pessoas mais frágeis da sociedade. “No nosso pensamento está a sua condição humana sempre presente. São sempre pessoas. E por isso, têm sempre condições de recuperação. Tentamos que a sua vida seja o mais digna possÃvelâ€. É para dotar de dignidade as pessoas que se vêem sem ela que Paula Bonifácio é voluntária na Comunidade Vida e Paz. Esta voluntária participa na equipa que prepara os lanches e também numa das equipas da ronda nocturna. Paula Bonifácio foi inicialmente surpreendida pela “quantidade de pessoas que estão nas ruasâ€. Passada a impressão inicial, vê “cada vez mais pessoas, pobres envergonhados diferentes dos habituais sem-abrigo, que , apesar de constrangidos, se dirigem à s carrinhas pedir alimentos diáriosâ€. Assume que enquanto cidadã este trabalho é essencial. “Devemos ser activos na sociedade e ajudar os outrosâ€. Também enquanto católica “faço um pouco o que Jesus fez, que é ajudar os outros, em especial os que mais precisamâ€. Paula Bonifácio acredita que este trabalho “torna-se mais gratificante para mim do que para as pessoas que ajudoâ€. Solidariedade Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...