Nacional

Crianças institucionalizadas

Luís Filipe Santos
...

Actualmente, as crianças passam «muito tempo» nas instituições - sublinha o presidente da CNIS

Mais do que um dia festivo para as crianças - de passeios gratuitos, de visitas interessantes, de jogos e variadas diversões – o Dia Mundial da Criança tem de ser um dia de reflexão dos adultos sobre o “homem de amanhã”. Em declarações à Agência ECCLESIA o Pe. Francisco Crespo, presidente Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), refere que a criança “está demasiado tempo institucionalizada”. Sem falar naqueles, cerca de 17 mil, que estão institucionalizados permanentemente (os que estão nos internatos). A maioria das instituições que compõem a CNIS “têm crianças”. São “muito poucas” aquelas que trabalham somente com idosos. “Se abarcarmos um universo de 4 mil instituições podemos dizer que à volta de 85% das instituições de Solidariedade Social trabalham directamente com crianças” – disse o Pe. Francisco Crespo. Grande parte das crianças que “passam pelas nossas instituições” estão “demasiado tempo connosco” porque “temos de dar resposta aos pais”. Esta situação acontece ao nível da cidade mas também “está a acontecer, infelizmente, no meio rural” – refere o presidente da CNIS. A cidade de Lisboa tem cada vez menos casais em idade fértil mas tem que “acolher o universo enorme de pais que vêm das periferias para trabalhar em Lisboa”. Durante o horário laboral, as crianças estão nas instituições e os “nossos profissionais são quase outros pais”. Realidades que começam muito cedo (crianças com alguns meses). Com este ritmo, as crianças conhecem “outras mães” porque “são elas que os acolhem”. Só vêm os pais verdadeiros ao final da tarde quando “estão cheias de sono” ou então “no fim de semana” – menciona o Pe. Francisco Crespo. Soluções mágicas “não existem”. E cita: “estamos a começar a negociar o protocolo para este ano” mas “tenho dúvidas sobre o programa do Governo relacionado com o alargamento escolar das crianças do 1º ciclo (3º e 4º ano) para o ensino do inglês e da matemática”. Com este alargamento surgem dificuldades para as instituições. As leis e normas “aparecem feitas” mas depois “temos de andar a tapar buracos”.


Criança