Simpósio do bicentenário da morte do Arcebispo de Braga
No primeiro dia do simpósio do bicentenário da morte de D. Frei Caetano Brandão, realizado ontem no salão nobre da reitoria da Universidade do Minho, o director da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica considerou que o arcebispo de Braga entre 1789 e 1805 foi um «verdadeiro bispo pastor». Luís Oliveira Ramos notou que D. Frei Caetano Brandão, considerado o “arcebispo dos pobres”, privilegiou sempre a sua actividade apostólica.
«No Brasil, Frei Caetano Brandão realizou quatro viagens à Arquidiocese de Belém do Pará, chegou ao alto Amazonas e, na última das visitas pastorais, percorreu sete mil léguas. Em Braga, o prelado foi desde a cidade até Trás-os-Montes, ziguezagueando por todo o mapa», apontou. Com a sua postura, D. Frei Caetano Brandão introduziu modificações radicais. «Quem faz a visita pastoral é o bispo e o bispo fala, ora em Braga não era costume os arcebispos falarem », disse, adiantando que este facto provocou muita admiração.
Numa conferência intitulada “A Actualidade de D. Frei Caetano Brandão”, o director da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) referiu que as pessoas perceberam que o arcebispo era um grande orador. «O seu carisma extraordinário fazia com que as pessoas ficassem presas à sua palavra e às suas lições», frisou Oliveira Ramos, um dos impulsionadores das comemorações do bicentenário da morte do “arcebispo dos pobres”.
Ao analisar a acção apostólica do Papa João Paulo II e as suas viagens à escala mundial, Oliveira Ramos lembrou de imediato D. Frei Caetano Brandão. «O mundo em que ele viveu, salvaguardando as diferenças entre o século XVIII e o século XX, não é um mundo mais pequeno do que as viagens de avião de João Paulo II», explicou. O prelado bracarense andou por todo o lado. Pregou, crismou, ouviu em confissão as pessoas e procurou admoestá-las pela palavra e pelas penitências sem usar os castigos, referiu Oliveira Ramos.
«Ele impressionava no uso da palavra e depois as pessoas vinham procurá-lo para se confessarem e se corrigirem», acrescentou.
Um homem inovador
O director da FCS, que estudou os diários das visitas pastorais de D. Frei Caetano Brandão e a sua personalidade através da obra de Inácio Peixoto, disse que o ponto fulcral da actualidade daquele arcebispo prende-se com a sua «carismática acção apostólica em que ele se envolveu com o objectivo de difundir a palavra de Deus e corrigir os homens não com a guerra mas com a capacidade de fazer os homens compreenderem que era preciso um mundo melhor».
O mundo melhor desejado por Frei Caetano Brandão seria alcançado pela via da educação e do exemplo. Oliveira Ramos referiu que em matéria de educação, o prelado bracarense tratou das crianças, dos mais crescidos e dos analfabetos. Por outro lado, quis preparar um clero melhor, que se impusesse pelo seu exemplo. Talvez por isso, o prelado deu atenção aos seminários tanto no Brasil como em Braga, contratando professores estrangeiros, concretamente franceses, para leccionar as disciplinas mais complexas. Se em muitos aspectos, D. Frei Caetano Brandão foi um homem do século XVIII, Oliveira Ramos considerou que noutros o arcebispo foi «profundamente inovador», sobretudo na luta a favor dos pobres.
Frei Caetano Brandão levou essa missão ao extremo e despojou o Paço de todas as suas riquezas, chegando mesmo a utilizar panos caros para mandar fazer trajes para os pobres.
Comemorações
O Simpósio do Bicentenário da Morte de D. Frei Caetano Brandão termina hoje no auditório da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica, mas as comemorações terminam só amanhã.
O programa do simpósio inicia-se às 09h30 com uma palestra intitulada “A intervenção Sócio- Educativa de D. Frei Caetano Brandão no Pará e em Braga, no contexto do Século das Luzes”, pelo mestre José Carlos Peixoto, presidente do Conselho de Administração do Colégio de São Caetano. Seguem-se as comunicações de Maria de Fátima Castro, investigadora do Fundo Documental da Santa Casa da Misericórdia de Braga, subordinada ao tema “A Escola Médico-Cirúrgica de D. Frei Caetano Brandão”, e do padre António Sousa Araújo que vai falar sobre o “Leonardo Caetano de Araújo, Benfeitor do Colégio de S. Caetano”.
O simpósio termina com a apresentação do livro “D. Frei Caetano Brandão (1740-1805). O Testemunho da Fé. A Família”, de Francisco Ponces de Serpa Brandão, quinto sobrinho neto do prelado bracarense.
À tarde, a partir das 14h30, é descerrado um busto do arcebispo na EB 2,3 D. frei Caetano Brandão, em Maximinos. Segue-se a inauguração de uma exposição e de uma placa evocativa do bicentenário da morte de Frei Caetano Brandão. O programa do dia termina com a actuação do grupo “Ensemble dos Biscainhos”.
As comemorações terminam amanhã, às 11h30, na Sé de Braga, com um pontifical e romagem ao túmulo de D. frei Caetano Brandão. Além da “Revista Bracara Augusta”, da Câmara Municipal de Braga e do seu pelouro da cultura, integram a comissão promotora o Pólo de Braga da Universidade Católica Portuguesa, a Universidade do Minho, a Santa Casa da Misericórdia de Braga, o Seminário Conciliar de Braga, o Colégio de São Caetano e a EB 2,3 Frei Caetano Brandão.