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D. Jorge Ortiga preside peregrinação à Senhora do Alívio

Diário do Minho
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A peregrinação ao santuário mariano da Senhora do Alívio, em Soutelo, Vila Verde, que se realiza no próximo domingo, dia 18 de Setembro, vai ser presidida pelo Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga. As 57 paróquias deste arciprestado realizam, durante a celebração eucarística, às 11h00, a sua consagração anual, num santuário que já conta com mais de dois séculos de existência e que, ultimamente, tem estado envolvido em alguma polémica por causa da construção de lombas no pavimento do respectivo adro. A propósito, o Diário do Minho conversou com o capelão do santuário e pároco de Soutelo que disse acreditar que «a peregrinação não ficará marcada por este episódio ». «Não acredito que um acontecimento triste, lamentável e infeliz, que nasceu da falta de comunicação entre as partes, possa ensombrar os actos religiosos de domingo», explicou o padre Manuel da Graça. O sacerdote contou que a área alcatroada que se encontra em frente ao templo — o local de culto mais importante do concelho, dado que ainda existe um santuário mariano em Cervães, no qual se venera Nossa Senhora do Bom Despacho — começou a verificar uma excessiva circulação de automóveis, «como se esta fosse uma estrada normal». «Recorde-se, porém, que este terreno não deixou de ser privado e que a circulação de viaturas já teve as suas implicações legais. A Confraria confronta-se, actualmente, com dois processos em tribunal porque os proprietários dos automóveis, que supostamente foram danificados neste local, exigem que a Confraria pague as respectivas indemnizações», disse o clérigo. Para além disso, o padre Manuel da Graça afirmou que, «felizmente, ainda não aconteceu qualquer acidente que tivesse envolvido os peregrinos». O pároco de Soutelo explicou também que a decisão de colocar as lombas foi tomada depois da última queixa. «As pessoas não gostam das lombas, nem a Confraria gosta delas», garantiu o sacerdote, que reafirmou que «estas foram um mal necessário e mal construídas». «Apesar disso, um pequeno grupo de pessoas impediu a correcção das mesmas», contou o responsável, que acabou por dizer que na origem desta atitude se encontra um dos candidatos à junta de freguesia local, «que convocou as pessoas para diversas reuniões. Estas acabaram por destruir as lombas…» Faz falta um projecto global O padre Manuel da Graça atribuiu a génese destes factos «à falta de um projecto global para o Santuário do Alívio». «Deu-se prioridade ao alcatrão e como este foi colocado recentemente, existem alguns receios em se alterar o pavimento», continuou por dizer o clérigo, que defende que «o asfalto não é a solução desejada ». Por outro lado, «a grande dificuldade do Santuário em termos pastorais reside na inexistência de um núcleo estável de pessoas, que se assumam como comunidade ». Esta situação tem, no entanto, evoluído favoravelmente, já que, por exemplo, «o pároco de Soutelo e o capelão do Santuário são a mesma pessoa». No final da entrevista, o padre Manuel da Graça disse o seguinte em relação às “lombas da discórdia”: «conheci os factos através da comunicação social e fiquei chocado com o envolvimento de algumas pessoas. Acreditava que existisse maturidade eclesial e que os problemas pudessem ser resolvidos através do diálogo. Aliás, a paróquia de Soutelo ficou triste com este episódio. Espero que os envolvidos queiram conversar comigo sobre esta questão. Vou ouvi-los…».


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