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D. Jorge Ortiga recusa resignação à tirania do desemprego

Diário do Minho
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Inteligência deve ser posta ao serviço da criação de postos de trabalho

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa recusou ontem a resignação perante o desemprego, apontando o uso da inteligência como o factor decisivo para ultrapassar a falta de postos de trabalho. «Será o fenómeno do desemprego uma catástrofe inevitável? Não acredito que nos tenhamos que resignar à sua tirania. Na articulação de sinergias e num exercício que envolve a trilogia trabalho, capital e inteligência encontraremos os caminhos novos e corrigiremos a panaceia dos antigos. Lamentar- se não conduz a nada», afirmou D. Jorge Ortiga. O Arcebispo de Braga falava na abertura das Semanas Sociais Portuguesas, que decorrem até amanhã no Seminário Menor, subordinadas ao tema “Uma sociedade criadora de empre- go”. O prelado sublinhou a «gravidade da situação», mas recusou uma atitude passiva perante «índices de falta de trabalho que começam a ser alarmantes». D. Jorge Ortiga referiu que o binómio trabalho e capital, que sempre foi sublinhado pela Doutrina Social da Igreja, supõe um terceiro elemento: a inteligência. «O trabalho como tarefa cansativa e o capital seu suporte estão a desafiar permanentemente a inteligência. Esta parece que está sempre subjacente ao realismo do trabalho e ao poderio do capital», explicou. O Arcebispo de Braga considerou, porém, que «importa conceder-lhe maior atenção para que cada um desenvolva os seus talentos e intervenha na obra criadora ou re-criadora da natureza para bem de todos». «A inteligência levará a trabalhar com outra consistência e, por muito que custe, reconhece que importa produzir – sem a obsessão de transformar as pessoas em máquinas – em quantidade e qualidade para enfrentar o jogo inevitável da concorrência. O capital submetendo- se ao exercício da inteligência ultrapassa os limites do interesse pessoal e entra nos circuitos duma solidariedade efectiva, capaz de proporcionar dignidade de vida a todos», afirmou. Em seu entender, a inteligência gera a inovação e faz com que a actividade laboral surja como um «exercício que dignifica e plenifica». «Este exercício da inteligência permitirá formas novas de co-responsabilidade, que o Governo deveria estimular e nunca impedir, para um desenvolvimento progressivo, sem teias exageradamente burocráticas e com orientações concretas, que permitam uma verdadeira justiça social, onde todo e qualquer cidadão se sente imprescindível num contributo original – talvez a exigir suor e sacrifício –, que dará mais felicidade a todos», declarou. D. Jorge Ortiga argumentou que «não há soluções individuais», uma vez que «só com a articulação entre todos os sectores profissionais, com todos os intervenientes » se conseguirá «encontrar a luz suficiente para ir caminhando na cautela de quem reconhece que o caminho se vai fazendo». «Certa é, apenas, a exigência da unidade, envolvendo todos e destruindo qualquer tipo de egoísmo ou desejo de soluções particulares. A globalização é vantagem se gera a unidade e comunhão; se só alguns conseguem usufruir dos seus benefícios é uma ilusão e para a grande maioria uma miséria crescente», declarou.


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