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D. José Policarpo pede respeito pelas religiões

Octávio Carmo
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«Tomar Deus a sério»

D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, defendeu a necessidade de “tomarmos Deus mais a sério”. “Apesar do apregoado respeito pelas religiões e pela fé de quem acredita, alguns não hesitam em brincar com o sagrado; chegou-se mesmo a apregoar, em nome da liberdade, o direito à blasfémia”, disse na sua Homilia de Quarta-Feira de Cinzas. “Fiquem sabendo que para nós que buscamos o rosto de Deus e procuramos viver a vida em diálogo com Ele, isso nos indigna e magoa, porque temos gravado no nosso coração aquele mandamento primordial: «não invocarás o Santo Nome de Deus em vão»”, acrescentou. Para D. José Policarpo, “o respeito pelo sagrado é algo que a cultura não pode pôr em questão, mesmo em nome da liberdade”. O Patriarca de Lisboa contestou a moda de “fazer profissão de fé de agnosticismo”, lamentando que Deus tenha deixado de “ter lugar na história”. “O homem, considerado como indivíduo e não como pessoa, necessariamente comprometido com uma comunidade, tornou-se o único critério de verdade e de discernimento ético”, alertou. Falando sobre o significado da Quaresma “no contexto da nossa sociedade contemporânea, onde muitos não acreditam em Deus”, D. José Policarpo lembrou que a mesma “é, para a Igreja, um momento de verdade, de se assumir como ‘resto fiel’, Povo que o Senhor escolheu e conduz”. “É tempo para assumirmos corajosamente a nossa diferença, no mundo em que vivemos: diferença na fé, nas motivações e nos critérios”, apontou. “A Quaresma é um tempo em que somos chamados a viver ao ritmo da graça, recorrendo a todas as ajudas que, para isso, Deus nos dá, por Jesus Cristo, através da força sacramental da Igreja”, explicou. A homilia do Cardeal-Patriarca frisou ainda que “o naturalismo como perspectiva de vida é a principal causa e, porventura, expressão dos nossos pecados”. “Não tenhamos ilusões, irmãos: somos todos pecadores e talvez o nosso principal drama seja o já não identificarmos os nossos pecados, no concreto da nossa vida. E essa situação só mudará, se nos convertermos ao Deus Vivo e voltarmos a amar a Sua Lei”, observou. Notícias relacionadas • O respeito pelo sagrado é algo que a cultura não pode pôr em questão


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