"A dinâmica da sociedade civil no Porto" foi o tema do debate incluído no ciclo de Conferências Público/Universidade Católica com o tema geral “Olhares Cruzados Sobre o Porto”, na sua VI edição, que ontem se iniciou com a presença do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e João Teixeira Lopes, sociólogo e professor universitário.
"O Porto é o Porto e Lisboa é de quem a apanhar. O Porto é muito mais autodefinido do que Lisboa", resumiu D. Manuel Clemente, que, após esta caracterização abreviada, centrou a sua atenção nas questões sociais que hoje afligem não só a cidade mas toda a diocese que está sob a sua direcção.
Segundo D. Manuel Clemente, a Igreja está na primeira linha da luta contra a pobreza, graças a "uma rede de proximidade e vizinhança ímpar, porque são 477 paróquias, dezenas de instituições de solidariedade social e irmandades que têm obra social".
"Quando se falar em sociedade civil do Porto está-se a falar, e de que maneira, nas organizações católicas", reforçou, vincando uma ideia que João Teixeira Lopes subscreveu dizendo que "a Igreja tem aqui um papel fundamental".
O sociólogo frisou que "há no terreno instituições absolutamente essenciais", que procuram ajudar os que mais sofrem com a crise económico-social.
"A Igreja tem aqui um papel essencial, tal como as IPSS, o voluntariado ou o Banco Alimentar Contra a Fome", destacou João Teixeira Lopes, acrescentando que "se não fosse isso, a cidade estaria numa situação de verdadeira catástrofe".
D. Manuel Clemente salientou, por seu lado, que "em toda a área da Diocese do Porto, o concelho mais envelhecido é o Porto".
O retrato não é muito animador, mas ainda assim o bispo realçou haver "uma rede de instituições que se mantêm, à espera de tempos melhores" e que o principal desafio hoje não são as respostas imediatas mas as respostas de longo prazo.
Redacção/Lusa