Nacional

Deus no contexto citadino

Luís Filipe Santos
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A uma semana do início das visitas pastorais à cidade de Braga, o Arcebispo de Braga defendeu, durante a celebração de Cristo Rei, na Sé, que o Reino de Deus ainda não está edificado e que compete aos cristãos torná-lo visível. “Ser Igreja «na» cidade é sinónimo de querer ser Igreja para a cidade. Quanto mais nos comprometemos com a problemática existencial, no caso concreto dos bracarenses mais somos Igreja no meio deles e com eles†- disse D. Jorge Ortiga. No último domingo do ano litúrgico, o prelado lembrou que o dia era de compromisso para todos os cristãos, mas sobretudo para os Movimentos Apostólicos que, no final da celebração, fizeram o seu compromisso para o novo ano pastoral. O Arcebispo referiu que as visitas pastorais à cidade não podem ser o cumprimento de uma mera obrigação, mas encaradas como uma graça de Deus que pode dar mais visibilidade nesta cidade com fortes tradições cristãs. “Cristo Rei é dinamismo e obrigação de ultrapassar os confins dos templos e igrejas†- defendeu D. Jorge Ortiga que manifestou alguns desejos para as visitas pastorais à cidade que se avizinham. “Trata-se de sair do mundo em que habitualmente respiro para celebrar um encontro com todos e a cada um gritar, talvez palavras silenciosas dum mero cumprimento ou sorriso, a energia e vitalidade do amor de Cristo que continua a entregar-se para que descubram e tenham a verdadeira vida†- explicou. A Igreja pode defraudar expectativas, disse D. Jorge Ortiga, mas Cristo nunca engana e como tal, é preciso não confundir e ter a coragem de “aceitar Cristo para que a Igreja de Braga seja o que deveâ€. Nas visitas pastorais, o prelado quer mostrar uma Igreja perita em humanidade e solidária com os homens. “Não nego a importância do culto e o desafio que a actualidade lança à renovação da nossa vida litúrgica. Penso, porém que devo questionar as comunidades para que se interroguem sobre as verdadeiras componentes da vida humanaâ€. Segundo D. Jorge Ortiga, para que isto aconteça é necessário ter a coragem necessária para desmascarar as falsas antropologias “que apregoam a mera imanência e hedonismo como critério da vidaâ€. Nesta linha, D. Jorge defendeu que a crise que a sociedade moderna atravessa deve-se, sobretudo, à falta de Deus e dos valores espirituais. Para o prelado, ser perito em humanidade supõe a consciencialização da existência de fenómenos que ultrajam a dignidade humana. “Existem situações de miséria e pobreza que deveriam estimular a fantasia da nossa caridade e proliferam os fenómenos de violência, particularmente, feminina que não deveríamos tolerar», disse D. Jorge adiantando que basta ler os jornais para sentir «sentir vergonha de certos casosâ€. Para D. Jorge Ortiga, os resultados do Recenseamento da Prática Dominical são um alerta para reconhecer que “as nossas igrejas cheias não podem enganar-nosâ€. O prelado apelou aos cristãos adormecidos para regressarem e acreditarem que é possível construir um mundo diferente. “O compromisso com Cristo e com a Igreja dar-me-ia muita alegria mas aceito o vosso pensar e os vossos comportamentos diferentes†- sublinhou


Diocese de Braga