Nacional

Diocese do Algarve estuda novas soluções pastorais face ao envelhecimento do Clero

Octávio Carmo
...

O clero algarvio debateu, esta semana, novas soluções pastorais para fazer face ao envelhecimento dos padres locais. A Assembleia diocesana, que contou com a quase totalidade dos sacerdotes e diáconos, concordou na necessidade de despertar para novas formas do exercício do seu ministério. D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve, confessa à Agência ECCLESIA que a situação actual é algo preocupante e exige respostas diferentes das tradicionais formas de organização paroquial, “para que a nossa Igreja diocesana possa corresponder àquilo que lhe é pedido”. “Partindo da nossa realidade, como clero, percebemos que cada vez somos menos e cada vez somos mais velhos, pelo que é preciso ter em conta esse aspecto”, alerta, defendendo a “antecipação de respostas” para um problema que se deixa adivinhar. De facto, dos 63 padres no Algarve, apenas 25 têm menos de 60 anos e outros 13 têm mais de 70. Esta reflexão, iniciada já com um documento de D. Manuel Madureira intitulado “Igreja do Algarve em Revisão”, foi acolhida com “serenidade”. As soluções passarão, no futuro, pela partilha das responsabilidades com os leigos e, sobretudo, com novas formas de distribuição do clero pelo território diocesano, de modo a atingir um melhor equilíbrio entre as necessidades das comunidades e o número de sacerdotes. D. Manuel Quintas lamenta que muitas paróquias não tenham, já, sacerdotes residentes. “Não podemos continuar a dar respostas de sempre a situações novas”, adianta. O prelado admite que, para muitos dos seus padres, já idosos, será difícil alterar “a maneira como serviram a Igreja, de modo dedicado e generoso”. “Não é possível estar a pensar que todos vão viver em grupo ou em comunidade; mesmo que assumamos os centros ou unidades de animação pastoral, o grande esforço que se deve fazer, em primeiro lugar, é a unidade na pastoral, a sintonia, a inter-ajuda”, indica o Bispo do Algarve. A Diocese algarvia, no seu binómio Serra/Litoral, oferece dificuldades específicas, como confessa o prelado, “com a concentração da população ao longo do Litoral, sobretudo nos grandes núcleos urbanos”. Outro fenómeno relaciona-se com a “grande mobilidade” derivada da actividade turística. Estas situações acarretam novos desafios para a “transmissão da fé” numa sociedade secularizada e que, no caso do Algarve, é muito influenciada por quantos a visitam. “Queremos encontrar respostas para aqueles que são os problemas da evangelização na nossa Diocese”, indica D. Manuel Quintas.


Diocese do Algarve