Dume será centro de estudo das igrejas cristãs antigas
O sarcófago de Dume, datado dos finais do século XI ou inícios do século XII, é considerado «a mais importante peça escultórica funerária da Alta Idade Média em Portugal», tanto pela sua «riqueza iconográfica como pela reconhecida qualidade escultórica», apresentando, numa lateral, S. Martinho ladeado pela sua comunidade monástica e, na tampa, Cristo Redentor elevado ao céu com quatro figuras aladas, que se pensa representarem os quatro evangelistas.
Igreja sueva
Tão ou mais importante que o túmulo do fundador do Mosteiro de São Martinho de Dume é a própria basílica, mandada edificar, aproximadamente por volta do anos 550, pelo rei suevo Carrarico, em agradecimento a S. Martinho pela cura do seu filho Teodomiro. «É um templo fantástico, que foi depois ampliado entre os séculos X e XI, mas que era já maior do que a igreja actual», pois media cerca de 30 metros de comprimento por vinte de largura, notou o arqueólogo, chamando a atenção para o facto dos arcos-cruzeiro terem-se mantido sempre no mesmo lugar nas sucessivas reconstruções.
No futuro, o objectivo é criar uma nova centralidade cultural com um circuito subterrâneo de visita, que inclua a vila e balneário romanos, do século I d.C. encontrados em terrenos contíguos, a necrópole e as ruínas dos mosteiros dos séc. VI e X/XI.
O projecto passa pela construção de uma ligação entre o edifício que vai acolher o túmulo, que passe por baixo da igreja e da capela da Senhora do Rosário e desague entre a actual igreja e a rua. S. Martinho fez de Dume o centro cultural de toda esta região, sendo no seu mosteiro que se traduziram as primeiras obras clássicas de maior importância e se fez brilhar a cultura como instrumento de valorização dos povos, sendo que as suas obras «são hoje estudadas por todo o mundo», notou Luís Fontes, referindo que tem recebido vários contactos de especialistas internacionais interessados em saber mais sobre Dume e em visitar o local, mas tal ainda não é possível.
O arqueólogo da Universidade do Minho manifestou- se confiante que a vinda do túmulo para Dume, que constitui «uma vitória irrepetível», mas mostrou algumas reservas sobre o retorno dos demais achados que estão no mesmo Museu de Arqueologia em Braga.
Apesar da vontade e pressa manifestada pelo autarca Constantino Caldas, Luís Fontes também não se comprometeu com a abertura do circuito de visitas subterrâneo aquando da transferência do túmulo, pois isso «exige ainda um trabalho arqueológico algo demorado».
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