O Dia Nacional dos Avós, que Portugal celebra hoje, é uma oportunidade para revalorizar o seu papel na família e na sociedade, procurando combater algumas perversões da vida moderna.
A criação do Dia Nacional dos Avós foi aprovada na Assembleia da República a 22 de Maio de 2003 por iniciativa da deputada social-democrata Ana Manso. Na altura, a deputada referiu, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, que a população com mais de 65 anos constitui 16,35 por cento dos portugueses e as pessoas com idades compreendidas entre 50 e 60 anos rondam os 24 por cento.
Fernando Micael Pereira, professor da UCP e especialista em Ciências Sociais, refere à Agência ECCLESIA que a “redescoberta” do papel dos Avós tem a ver “com uma maior ligação entre as gerações na família, agora com menos elementos”.
“Os laços que atravessam as gerações estão a tornar-se mais fortes”, assegura.
O Departamento da Pastoral Familiar da Arquidiocese de Braga chama a atenção para “o papel tantas vezes injustamente esquecido, mas cada vez mais importante, num tempo como o nosso em que os pais e mães ‘não têm tempo’ para a família”.
Um estudo comparativo das Políticas Familiares na Europa dos 15 entre 1990-2004, apresentado recentemente, revelou que Portugal é um dos países da União Europeia (UE 15) onde as famílias monoparentais mais trabalham a tempo inteiro, pelo que os chamados serviços informais de guarda, a família, os avós, são os mais usados.
Micael Pereira destaca que essa missão na família “deve completar a função dos pais, sem a substituir”, considerando que os avós são “um factor de segurança, de estabilidade”, numa altura em que os laços familiares são “precários”.
Na Mensagem da “Associação Famílias” para o Dia Nacional dos Avós sublinha-se que “os avós representam e são garantia do passado de todos nós, da nossa história familiar”.
Contra a infantilização
Fernando Micael Pereira alerta para a necessidade de não se confundir, por estes dias, “o papel dos avós com o papel dos idosos na sociedade”.
“Choca-me que se confunda pessoa idosa com avô, reduzindo-o a uma figura bonacheirona, apatetada, boa para o lazer, para o ‘faz de conta’, que batem palmas e mandam beijinhos”, afirma.
Contra esta “infantilização” do papel dos mais velhos, Micael Pereira sublinha que “é urgente nós percebermos que precisamos dos mais velhos como gente responsável e activa”.
“Julgo que se está a usar a abusar desta ideia de que uma pessoa mais velha é o avôzinho dos outros, quase como o ‘tio’ das aldeias”, aponta.
“Em vez de serem postos de lado pelo esquecimento, são postos de lado pela ridicularização”, conclui.