Nacional

Endividamento ameaça famílias portuguesas

Octávio Carmo
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Encontro de reflexão lança alertas

Os riscos do endividamento crescente das famílias portuguesas esteve no centro da reflexão promovida, ontem, pela LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos de Antas (Famalicão), em parceria com a Secção Cultural da Associação de Moradores das Lameiras (AML) e a Coordenação Concelhia do Ensino Recorrente. A iniciativa decorreu no Centro Social e Comunitário das Lameiras, tendo contado com o contributo de Cândida Veloso, coordenadora concelhia do Ensino Recorrente; Maria Manuel Pinto, advogada e perita nas questões de defesa do consumidor e o Miguel Matos, economista. “É urgente acabar com o endividamento das famílias”, refere o documento conclusivo do encontro, enviado à Agência ECCLESIA. O encontro de reflexão juntou cerca de 80 pessoas, “um número surpreendente” para José Maria Carneiro Costa, da LOC/MTC e presidente da mesa da assembleia geral da AML. “Não são só as empresas que vão à falência, mas também as famílias; o crédito hoje está muito facilitado, não só para a compra de casa, mas também de electrodomésticos, de carro, de telecomunicações, de férias”, alerta. O endividamento em Portugal situa-se nos 130%, enquanto nos outros países europeus ronda os 100%. “Nos tempos dos nossos pais poupava-se e investia-se para depois comprar casa, terras ou precaver qualquer fatalidade. Hoje compra-se e depois pensa-se em pagar”, lamenta José Maria Carneiro Costa. Este responsável lembra que “o endividamento das famílias está ligado ao futuro do trabalho, porque há desemprego, há salários muito baixos e há um feroz ataque da publicidade contra gente com pouca formação, que gasta o que tem e o que não tem”. Iniciativas como a de ontem permitem, segundo os promotores do encontro de reflexão, criar espaços para que nas famílias todos dialoguem e decidam em conjunto o que comprar. “Às vezes, nem em casa as famílias conseguem conversar destas coisas, começa a ser tabu falar do endividamento nas casas”, constatou Carneiro Costa. Para as famílias endividadas, uma das hipóteses de solução é renegociar as dívidas, tendo-se defendido que este é um meio a que se pode recorrer. Os participantes defenderam ainda que o governo e os legisladores devem criar leis que protejam os mais pobres e ajudem a prevenir estas situações. AML A AML - Associação de Moradores das Lameiras, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, fundada em 25 de Maio de 1984. Nasceu no Complexo Habitacional das Lameiras, na freguesia de Antas, cidade de Vila Nova de Famalicão, um quarteirão de que fazem parte 290 habitações sociais, 30 lojas comerciais e as antigas instalações do Centro Social da própria Associação Tem como objectivos “promover a Cultura, o Desporto e a Solidariedade Social”. Ao longo dos anos, tem desenvolvido diversas acções junto de vários organismos oficiais, tendo em vista a melhoria da qualidade de vida dos residentes do Bairro das Lameiras e da população das zonas circundantes. A AML desenvolve ainda um trabalho de voluntariado, em vários departamentos e secções. Entre as valências do Centro Social da AML contam-se o Berçário, a Creche, o Jardim-de-Infância, o CATL - Centro de Actividades dos Tempos Livres e o CEAJ - Centro de Estudos e Animação Juvenil. Para além disso há um Centro de Dia e o apoio Domiciliário a idosos, para além do acompanhamento e actividades com idosos em Lar e o acompanhamento e actividades com mulheres e crianças vítimas de violência doméstica - Casa de Abrigo. A Associação tem 475 associados inscritos, contando com o apoio de 75 voluntários que colaboram e dinamizam as diversas secções e departamentos. Mais informações sobre a história e o trabalho da Associação em www.amlameiras.pt


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