Esculturas Paulinas nascem em Felgueiras
Até 16 de Maio, a criatividade de três escultores dará à luz obras relacionadas com S. Paulo.
Segue-se uma breve explicação do processo técnico, usado na interpretação da obra proposta para o simpósio de escultura em pedra de Felgueiras. Este projecto surge no âmbito do simpósio de arte sacra de Felgueiras cujo tema é “São Pauloâ€.
O processo que estamos a desenvolver consiste em seleccionar uma obra representativa de São Paulo existente na Diocese do Porto e fazer uma leitura 3D usando tecnologia avançada, com fim a uma nova interpretação das formas já existentes. A obra foi seleccionada com base em conversas com o Reitor do Seminário Maior do Porto e contamos com a inesperada e feliz sugestão do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente.
Uma vez seleccionada, sujeitamos a obra do século XVIII existente na igreja de São Pedro da Cova a uma Tomografia Axial Computorizada (TAC), a fim de obter uma imagem Computorizada 3D da mesma. Para esta fase do processo recorremos a uma clÃnica médica especializada neste tipo de técnicas.
Do processo já resultou material rico a nÃvel plástico e com uma vasta margem para novas interpretações. O melhor exemplo disso é o vÃdeo resultante da montagem, em sequencia, das imagens dos cortes captadas pelas leituras do TAC, onde mostra em movimento, todo o interior da escultura, em madeira.
Feita a leitura 3D procede-se agora à construção da maqueta seguida da construção da nova obra.
Nesta nova fase usamos um bloco de mármore de Estremoz com aproximadamente 2,5 m de altura, cortamo-lo em fatias de 2 cm de espessura e damos forma ás varias placas em função das leituras que obtivemos no TAC, mas com outra escala.
Por fim voltamos a montar o bloco de mármore, agora com uma nova forma. Uma imagem de São Paulo do século XVIII reinterpretado em 2009.
Escultura de VOLKER SCHNÜTTGEN
Titulo da escultura: Os testamentos segundo São Paulo. A minha proposta escultórica é constituÃda por três elementos: Dois blocos de rocha calcaria (moca creme ou brecha marÃtima) do mesmo tamanho (cada bloco: 180 x 130 x 50cm) separados por um vidro de 272 x 176 cm.
Um dos blocos está colocado de uma forma estável numa das suas faces, o outro num estado de equilÃbrio em cima duma aresta; plasticamente um jogo entre permanência e dinamismo.
O vidro é elemento separador, mas a sua transparência permite continuidade da imagem. Os dois blocos representam as duas metades de um livro. Livro e espada são os signos do São Paulo, representados em muitas imagens do santo.
A vida do São Paulo é caracterizada por uma ruptura radical: de um defensor militante da ordem antiga converteu-se para um dos mais activos lutadores da nova era do cristianismo, que quebrou com as fronteiras do mundo judaico e levou a nova doutrina para o mundo pagão. Não foi autor de um dos livros do Novo Testamento (como não conheceu Cristo pessoalmente) mas enriqueceu-o por muitas letras.
Pretendo de uma linguagem lapidar no sentido da origem da palavra (=que diz respeito a lápide, esculpido nitidamente na pedra, à procura da clareza) representar esta mudança na vida de São Paulo; uma vida que provocou como poucas outras a cisão entre a doutrina ortodoxa judaica e a nova abertura do cristianismo, e na sua consequência a globalização desta nova religião.
Escultura de PAULO NEVES
Este projecto surge no âmbito do simpósio de arte sacra de Felgueiras cujo tema é “São Pauloâ€. A obra é executada em mármore de Estremoz, raiado de rosa, com altura de 3mx1,5m por 20cm, colocada numa base de betão de 0,70x0,70x1, revestida a aço corten. Na base é recortada a frase “Tornei-me tudo para todos†(1 Cor 9, 22b) – palavras de São Paulo retirada da sua primeira carta aos CorÃntios. É este o conceito-base de toda a obra que toma a forma de uma folha de carvalho.
O local onde a obra será colocada foi o espaço de uma árvore e ao seu redor, muitas outras dão vida ao ambiente. A folha de carvalho é, por natureza, uma folha caduca e como tal, sÃmbolo de renascimento, morte e ressurreição.
Para os druidas, membros de uma elevada estirpe de Celtas, o carvalho era uma árvore sagrada. Aliás, a palavra druida é de origem céltica, e segundo o historiador romano PlÃnio - o velho, ela está relacionada com o carvalho – etimologicamente, relacionou a voz druida com o nome grego drãj «carvalho», certamente pela importância que nos cultos religiosos druÃdicos tinham esta e outras árvores. Nas clareiras, no coração das profundas florestas, sob os carvalhos, os Druidas transmitiam pacientemente aos seus discÃpulos a sua sabedoria imemorial.
Para os Romanos, o carvalho era também sÃmbolo da alma humana. Estes simbolismos provocaram a escolha da folha de carvalho para representar São Paulo que se “fez tudo†para todos.
Ano Paulino









