“Concorda com a adesão da Turquia à União Europeia?” foi a questão colocada aos estudantes e docentes da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) de Braga.
A questão foi formulada numa sessão inserida na Semana da Europa e realizada no âmbito de uma actividade de complemento curricular no quadro do seminário “Cristianismo na construção da Europa”.
Com o evento, um fórum de discussão informal apoiado pela Associação de Estudantes daquela faculdade, os organizadores pretendem sensibilizar docentes e discentes para o processo de integração europeia.
Isabel Varanda, professora da Faculdade de Teologia e responsável pelo seminário, explicou ao Diário do Minho que a sua realização numa sala adjacente ao bar da Faculdade «visa abarcar os alunos do curso de Ciências Sociais, pois, futuramente, vão ser esses os agentes de sensibilização para a problemática».
Referindo que a acção «passa, igualmente, por ajudar a desenvolver uma mentalidade que possa colaborar na construção da Europa», a responsável destacou a necessidade de criar «agentes dinamizadores para formar os portugueses nessas temáticas».
Sobre a adesão da Turquia à União Europeia (UE), a teóloga pautou o discurso pela prudência. «Sem se conhecer o rosto e o ideal da Europa que se pretende construir, é difícil dizer “sim” ou “não”.
Se for uma federação de países onde se coloquem apenas questões de ordem económica e política, essa integração vai ser um pouco complicada. Porém, se enveredarmos pelo desafio multicultural e pela ideia de liberdade religiosa, não me repugna que se abra essa participação a outros países, e até se pode visionar uma Europa com a Turquia».
Nesse sentido, «é preciso que a Europa descubra o que pretende. Depois desse processo, a própria Turquia perceberá a sua vocação», concluiu a teóloga.
Sobre a complexidade da pergunta apresentada no boletim em relação ao Tratado Constitucional, Isabel Varanda disse que «a questão está bem formulada.
Porém, o problema está na resposta porque a formação do cidadão comum revela a incapacidade de se conseguir responder adequadamente a uma pergunta desse tipo».
Diagnosticando uma «falta de elementos suficientes para poder votar», a teóloga prevê uma elevada taxa de abstenção devido à indiferença dos portugueses.
A formação e a divulgação de artigos sobre o Tratado Constitucional seriam soluções mais eficazes.
Assim, em relação às responsabilidades das autoridades governamentais sobre a (in)formação disponível, a responsável é da opinião de que a sociedade civil também tem de assumir essa tarefa.
«O exercício da cidadania implica que consigamos dizer uma palavra justa sobre aquilo que nos diz respeito. Por isso, é necessário aumentar núcleos e iniciativas como esta no seio da sociedade civil», frisou a docente universitária, que acentuou a «dificuldade que as pessoas sentem quando confrontadas com questões de carácter jurídico. Faz-nos sentir pequenos e ignorantes».
Amanhã tem lugar a divulgação dos resultados do “referendo”.
[Alexandre Gonçalves]