Festival «Terras sem Sombra» propõe viagem ao Barroco português
Música sacra e jovens artistas portugueses enchem as igrejas do Baixo Alentejo
O grupo «Sete Lágrimas» inaugura o Festival e abre o repertório do Barroco português. “Será uma mostra do resultado dos Descobrimentos. Culmina com o Coro Gulbenkien mostrando o esplendor luso brasileiro, com memórias do Séc. XVIII e XIX”, explica Filipe Faria, director artístico do Festival.
O baixo Alentejo “uniu a cultura e a arte portuguesa disseminadas pelo mundo. As igrejas têm essa noção global, porque dispõem não apenas do património produzido pelos artistas portuguesas, mas também encontramos peças vindas da China, do Japão, de África e do Brasil que foram integradas na liturgia e na devoção”, explica José António Falcão. O tema da 5ª edição do Festival quer recuperar a história através de jovens artistas portugueses.
Filipe Faria destaca que o objectivo de envolver jovens artistas portugueses foi um factor cimeiro desde a primeira hora da organização em 2003. “Faltava em Portugal um palco descentralizado de carácter nacional e internacional, em especial no Baixo Alentejo, e o Festival de Música Sacra tem cumprido esse objectivo”.
Existem em Portugal artistas de “excelente valia que se formaram em Portugal e continuaram os seus estudo no estrangeiros. De regresso ao país, trouxeram competência e especialização na área, mas não encontraram palco para os seus projectos musicais”. A crítica da especialidade e o público que acompanha reconhece a sua qualidade “mas a sua interpretação tem pouco espaço e o que existe é irregular”, lamenta. O Festival «Terras sem Sombra» quer assim tornar acessível ao grande público o contacto com interpretes portugueses.
A diocese de Beja investe intensamente na requalificação dos seus edifícios e do património cultural. “Mas a requalificação pede vida também, não é suficiente recuperá-lo e fechá-lo”, explica o director do DPHADB. A oferta cultural é uma proposta de abertura à comunidade e ao público de outras regiões. “O Festival conta sempre com casa cheia e conta com um público fiel que chega de Lisboa e de Espanha”.
José António Falcão admite que o Festival «Terras sem Sombra» adquiriu a sua maioridade. “É uma referência na cultura portuguesa, é o Festival que marca a temporada no Sul do país e está a prestar um importante contributo a quem não tem acesso directamente ao património”.
A organização do Festival apresentou à Direcção Geral das Artes um projecto de quatro anos para a organização do Festival «Terras sem Sombra» A resposta poderá chegar em Março e se for aprovado “haverá maior disponibilidade de programação, as edições serão preparadas com maior antecedência”, finaliza Filipe Faria.
Diocese de Beja









