Sete voluntários da Sonaecom juntaram-se ontem aos 15 americanos e canadianos que estão em Crespos a colaborar com a Associação Humanitária Habitat na construção de duas novas casas para famílias com dificuldades económicas, em terrenos cedidos pela Junta de freguesia. Ao todo, são sete pessoas que, a partir do dia 29 de Outubro, vão ter um novo tecto.
Fundada em Braga, em 1996, a Associação Humanitária Habitat, filial portuguesa da ONG “Habitat for Humanity International”, tem vindo a construir e recuperar casas para famílias desfavorecidas no distrito. Conseguir terrenos para a construção de mais casas e parcerias com entidades públicas e privadas para a concretização das obras ao mais baixo custo são as maiores dificuldades da Associação.
Segundo o seu fundador, José Cruz Pinto, há muita gente a precisar de melhores condições de habitabilidade, mas que não consegue avançar com as obras, porque os rendimentos não lhes permite ter acesso ao crédito bancário.
José Cruz Pinto salienta a Habitat não só quer ajudar as pessoas a terem uma casa digna, como também fornecer as bases para «uma vida em família saudável e construtiva». A associação só consegue construir ou recuperar casas em sistema de entreajuda com as famílias beneficiárias e graças ao trabalho voluntário e doações em dinheiro ou em espécie.
«Não damos casa a ninguém », adverte aquele responsável, esclarecendo que, depois de acabadas, as habitações são entregues mediante o pagamento de uma prestação mensal sem juros, nem lucros para a associação. Os pagamentos entram num fundo financeiro rotativo que reverte para a construção de mais casas para agregados familiares carenciados.
A selecção dos proprietários está a cargo de uma Comissão de Famílias, que procede a um levantamento das carências habitacionais. Face ao estudo, são aceites as candidaturas dos interessados, explica o arquitecto André Almeida, acrescentando que os critérios de escolha baseiam-se no nível de necessidade, na vontade dos elementos do agregado participarem no programa e a capacidade de pagamento de uma pequena mensalidade.
Só quando atingir as cem casas é que a instituição conseguirá ter fundos suficientes para ser autónoma, ou seja, arrancar com projectos sem financiamento externo. Uma meta ainda longínqua, já que, na área de Braga, ainda só foram entregues vinte.
A primeira obra foi realizada no concelho de Vieira do Minho. Seguiram casas em Palmeira, Padim da Graça Adaúfe e, mais recentemente, Crespos. A expansão da associação a outros locais do país também tem sido uma grande batalha. Mas, anuncia o director da Habitat, antes do fim do ano, deverá ser constituída uma delegação no Porto.
Em termos de parcerias, há protocolos firmados com entidades governamentais, sempre e quando a atribuição desses fundos não esteja sujeita a quaisquer condições que vão contra os princípios fundamentais da Habitat for Humanity ou limitem o seu direito a proclamar-se como uma organização cristã. O Governo português tem ajudado a associação através do Governo Civil de Braga e das autarquias. As Câmaras de Braga e Vieira têm prestado apoio jurídico e logístico. As Juntas têm também colaborado nestas iniciativas.