A paixão missionária que levou os portugueses a anunciar o Evangelho nos quatro cantos do mundo, ao longo de séculos, estará a desaparecer? A questão passa pela cabeça de muitas pessoas e estará, certamente, sobre a mesa durante as próximas Jornadas Missionárias Nacionais que o Centro Paulo VI, em Fátima, vai acolher, de 16 a 18 de Setembro.
Reunidos em volta do tema “Eucaristia e Missão”, os participantes são convidados a reflectir sobre este binómio que marca a vida dos católicos, como explica à Agência ECCLESIA o Pe. Manuel Durães Barbosa, Obras Missionárias Pontifícias.
“Em Portugal, de maneira geral, a dimensão missionária não está muito explícita. O tema para o Outubro Missionário será, este ano, ‘Pão Repartido para o mundo’, procurando focar o aspecto de celebração que nos leva à partilha e à Missão”, afirma.
“A vivência da Eucaristia leva à Missão, à dinâmica de levar Cristo Ressuscitado a todo o mundo, mas essa dimensão é muitas vezes esquecida por quem participa na Eucaristia”, acrescenta.
A escolha do tema, em Ano de Eucaristia e antes do Outubro missionário quer “levar as pessoas a reflectir sobre a importância da dimensão missionária da Igreja em Portugal”. À reflexão foi associado o Congresso Internacional da Nova Evangelização (ICNE), que Lisboa receberá no próximo mês de Novembro.
Nesse sentido, foi pedida a D. Manuel Clemente, Bispo Auxiliar do Patriarcado, “uma reflexão sobre as implicações da celebração comunitária da Eucaristia num tipo novo de evangelização, não só no ICNE, mas também em todas as dioceses”.
“Esperamos que do conjunto das reflexões destas Jornadas Missionárias 2005 saíam um conjunto de coordenadas e ideias chave que possam ajudar a Igreja em Portugal, indicando novos caminhos”, conclui o Pe. Durães Barbosa.
Programa
Dia 16 (Sexta-feira)
17.00 h - Acolhimento – Centro Paulo VI – Fátima
19.00 h - Eucaristia - Centro Paulo VI – Sala Bom Pastor
20.00 h - Jantar
21.30 h - A Eucaristia, projecto de um mundo novo (Análise da prática
Eucarística em Portugal. Interpelações e desafios).Manuel Marinho Antunes
Dia 17 (Sábado)
09.00 h - Oração da manhã
09.30 h - A Missão que nasce da Eucaristia (O olhar da História) David Sampaio Barbosa
11.00 h - O milagre da multiplicação dos Pães no mundo contemporâneo. Victor Feytor Pinto
13.00 h - Almoço
15.00 h - Painel: A Eucaristia nas fronteiras. Vários convidados
17.00 h - A Eucaristia e a Nova Evangelização. D. Manuel Clemente
19.00 h - Eucaristia
20.00 h - Jantar
21.00 h - Convívio missionário
Dia 18 (Domingo)
09.00 h - Oração da manhã
09.30 h - A Eucaristia e as margens da sociedade. Rui Manuel da Silva Pedro – Obra Católica das Migrações
11.00 h - A Eucaristia e a Espiritualidade Missionária. Adélio Torres Neiva
13.00 h - Almoço
14.30 h - Painel: A Eucaristia, fonte de Missão. Diversos convidados
16.00 h - Eucaristia – Conclusões
História
No princípio eram as Semanas Missionárias, uma iniciativa lançada pelos Missionários da Boa Nova. A missão passou por ali, anos a fio. Em 1982, os pais desta iniciativa que já atingia toda a Igreja em Portugal, decidiu confiar á Conferência Episcopal a organização do evento. Como não podia deixar de ser, a CEP aceitou o desafio e coube à Comissão Episcopal de Missões (com as Obras Missionárias Pontifícias) a organização das Semanas até 1997, sempre com o apoio da Comissão Missões da CNIR e da FNIRF. Até que se concluiu que era urgente mudar o formato. Uma semana era demais para a maioria das pessoas que se pretendiam juntar ali. E, em 1998, a iniciativa mudou de nome e de formato. Passou a começar á sexta à noite para terminar na tarde de domingo. E o nome apareceu a condizer: Jornadas Missionárias Nacionais.
As Jornadas Missionárias Nacionais têm vindo a impor-se, progressivamente, no panorama dos eventos nacionais, a nível da Igreja. Basta reparar que, nas duas últimas edições, ultrapassou largamente as cinco centenas de participantes, com uma alta percentagem de jovens, muitos deles acabados de fazer missões em tempo de férias.
Objectivos
As JMN acontecem em Setembro, depois de um ano de pastoral, de férias que podem ter sido missionárias e às portas de Outubro, mês Missionário por excelência. Avaliar o percurso missionário feito e incendiar de espírito missionário o ano pastoral que começa são dois bons objectivos para estas JMJ. Ao olharmos para o perfil dos participantes nos últimos anos, concluímos que ainda há um longo caminho a percorrer se queremos que as JMN ajudem a sensibilizar para a animação missionária das Igrejas locais, uma vez que há ainda dioceses que não se fazem representar. Mas já há uma participação muito elevada de leigos, muitos dos quais são jovens. Por isso, há futuro.
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