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Igreja lança novo olhar sobre a família

Agência Ecclesia
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Jornadas nacionais decorreram em Fátima, destacando «imensos sinais de esperança» no actual contexto social

Os desafios familiares e a família como um lugar de esperança deu o mote para as XX Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar, que no passado fim-de-semana, decorreram em Fátima. Os responsáveis da Equipa do Departamento Nacional da Pastoral Familiar, Graça e Bernardo Mira Delgado, optam por evidenciar “imensos sinais de esperança” da família no actual contexto social. “Quando pensávamos que iríamos encontrar um quadro de desespero e angústia, os grupos de reflexão conseguiram descobrir imensos sinais de esperança. O mundo onde vivemos continua a ser um lugar de esperança e a família, com todos os riscos que tem, continua a ser uma fonte inesgotável de esperança”, explica Bernardo Mira Delgado. Graça Delgado explica não saber se a família corre “um risco tão grande ou se é apenas o que nos chega”, aponta, aludindo ao que é noticiável e o que não é noticiável. “O que é notícia é o que provoca agitação. Pelo que analisámos na Jornada, é mais o fumo que a realidade”. No entanto, as dificuldade não se escondem. “Vivemos dificuldades e é preciso continuarmos a apelar ao essencial”. As XX jornadas são uma resposta ao desafio lançado pelo Papa na encíclica «Spe Salvi» e pretendiam ajudar a perceber de que forma “a família pode ser não apenas testemunho, mas dinamizadora dessa mesma esperança que deve estar em todos nós”, aponta Graça Mira Delgado. Bernardo Mira Delgado evidencia uma “grande mudança cultural e uma tendência para que o que é novo chame mais a atenção sobre uma história passada e que fundamenta a nossa cultura”. No entanto, as Jornadas querem “ser um incentivo ao trabalho nas dioceses”, apesar de estas serem autónomas e “não haver um programa nacional”. A responsável sublinha “as sugestões e a partilha de esperança”. Juan Ambrósio, professor de Teologia na UCP e conferencista nas XX Jornadas da Pastoral Familiar, reconhece “uma crise inegável na família”, mas indica que a “consciencialização pede que depois de uma primeira fase de reconhecimento, se procurem caminhos positivos e de reconstrução”. “Deus continua a falar-nos no meio do mundo concreto. Se o mundo está em dificuldades, temos de continuar a escutar a voz de Deus e aos desafios que ele nos levanta”. Desafios que o professor de teologia assume como “de construção de uma história mais positiva, mais fraterna e justa, onde a família deve desempenhar um papel insubstituível”. Responsável pela conferência «O desafio da esperança em contexto familiar», Juan Ambrósio explica que “na família aprendemos a ser numa dinâmica de amor. Somos o que somos, porque somos amados e crescemos nesse contexto de amor. O nosso fim também será o amor. O crescer na positividade deve ser o nosso testemunho. Se estiver presente no contexto familiar, esta marca vai passar depois nos restantes contextos onde estivermos inseridos”. Ao longo da história, a família foi adquirindo diferentes fisionomias, aponta o teólogo. “Não valem todas o mesmo, umas são melhores outras são piores”, evidencia o teólogo, apontando que ao longo da história “várias serão as fisionomias que teremos ainda de descobrir”, aponta, relembrando o modelo de família alargada com a presença dos avós e dos tios. Caminhando para famílias “nucleares, teremos de ter em ente que o que importa são as fisionomias que respondem ao desafio actual, do crescimento das pessoas e do projecto de Deus para a humanidade”. Juan Ambrósio aponta o imperativo da “ousadia da criatividade e de construir o núcleo familiar, a partir do casal e dos filhos, mas fazendo núcleos mais alargados porque talvez a família se tenha tornado demasiado fechada em si”. O teólogo aponta três tipos de relação familiar: entre o pai e a mãe que é uma “relação de amor”, a relação do casal e dos filhos e, por último, a relação do núcleo familiar com um círculo mais alargado “que é família por consanguinidade, mas também por amizade”. Juan Ambrósio aponta que, “sem descurar nenhum dos âmbitos, precisamos de ler a família em circuitos mais amplos”.


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