Nacional

Igreja pede mais empreendedorismo social

Octávio Carmo
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Semana Social de 2009 apresentada em Aveiro para lembrar papel individual na construção do bem comum

A Igreja Católica em Portugal deseja que no actual cenário de crise surjam novas formas de empreendedorismo social, combatendo a tendência de delegar no Estado e noutras instituições a solução para os problemas. A posição foi assumida esta Quinta-feira, em Aveiro, por D. Carlos Moreira Azevedo, presidente da Comissão Episcopal de Pastoral Social, que apresentava aos jornalistas a Semana Social de 2009, com a qual a Igreja quer “sublinhar a responsabilidade de cada pessoa na construção do bem comumâ€. Segundo este responsável, “na mentalidade colectiva do português sobrecarrega-se o papel das instituições, como o Estado e até a Igreja, nas falhas e limites sociaisâ€. “O dinamismo do cidadão, a mobilização para inovar e pôr de pé formas pequenas e concretas de comunhão, de partilha, de gestos solidários é insuficiente e por vezes muito deficienteâ€, afirmou o Bispo auxiliar de Lisboa. Exactamente um ano antes da Semana Social 2009 e no mesmo local onde esta irá decorrer, D. Carlos Azevedo disse esperar que se debatam “desde já as perspectivas a abordarâ€, visando “a descoberta de uma ordem social com finalidades centradas no bem comumâ€. “Não é fácil romper o hábito de atirar as responsabilidades sempre para o alto, para os órgãos do poder. No entanto, crescem, entre nós, formas de empreendedorismo social com enorme potencialidadeâ€, reconheceu. A Semana Social 2009 tem como tema geral "A construção do bem comum: responsabilidade da pessoa, da Igreja e do Estado". “Quando uma decisão política e socioeconómica respeita, do modo mais total possível, cada uma das pessoas e toda a família humana é certamente boaâ€, afirmou D. Carlos Azevedo. O presidente da Comissão Episcopal de Pastoral Social diz que a Igreja deseja “promover círculos de debate, criar um movimento com a multiplicação de reflexão, através de iniciativas em cada diocese, em cada vigararia, em cada centro social paroquial, em cada misericórdia, que prepare a Semana Social e a deseje como ponto de chegada de uma mudançaâ€. Este responsável lembrou que “a concretização do lugar da Igreja na sociedade tem terrenos conhecidos: educação, saúde, instituições de solidariedade socialâ€. “Cada um destes lugares exige um grupo de trabalho capaz de analisar os contornos da presença da dimensão religiosa. O contexto actual requer uma revisão e uma procura de novas atitudes, mais robustas e ágeisâ€, defendeu. Uma iniciativa com história Manuel Porto, presidente da Comissão Organizadora Nacional das Semanas Sociais, referiu que estas são “iniciativas com a maior tradição em Portugal e noutros países, procurando levar, em cada época histórica, a uma reflexão aprofundada sobre os problemas sociais, tendo especialmente em conta a resposta dada pela Igrejaâ€. Em Portugal, a primeira série de Semanas Sociais remonta à década de 40, com realizações entre 1940 e 1962, considerando Aspectos Fundamentais da Doutrina Social Cristã, As Bases Cristãs de uma Ordem Nova, O Problema do Trabalho e O Problema da Educação. Foram retomadas na década de 90, a partir de 1991, tendo sido considerados os temas Exigências Actuais do Desenvolvimento Solidário, Família e Solidariedade, Economia Social , Desenvolvimento Humano e Cidadania Pessoal –Responsabilidade Colectiva e Uma Sociedade Criadora de Emprego. A última decorreu na cidade de Braga, em 2006, sobre a questão do emprego. “Face ao risco de uma recessão que não pode deixar de causar-nos as maiores preocupações, tem lugar a Semana Social de Aveiro: pondo a tónica de um modo ainda mais claro na preocupação com a construção do bem comum, sublinhando-se que tem de ser responsabilidade da pessoa, da Igreja e do Estadoâ€, assinalou Manuel Porto.


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