Os principais responsáveis da Igreja Católica portuguesa saudaram a criação do concelho de Fátima, aprovada unanimemente pelo Parlamento no passado dia 1 de Julho.
Embora salientando que a elevação da freguesia a concelho é mais «um problema administrativo» que religioso, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa revelou à agência Lusa esperar que esta situação “facilite os problemas logísticos de uma terra que vive do Santuário”.
Para o Bispo de Leiria-Fátima, esta elevação é «o fim de um caminho normal», onde a religião e a fé tiveram um «papel determinante». «Estou contente com este desenlace e espero que o futuro prove que este é um passo acertado», salientou D. Serafim Ferreira e Silva.
O apoio unânime dos partidos com assento parlamentar à elevação de Fátima a concelho satisfez os principais dirigentes religiosos e autárquicos que tutelam o novo município, que reclamam maior atenção do poder central ao seu desenvolvimento.
"Tenho esperança que o novo município desenvolva a sua identidade de maneira orgânica e com uma vertente muito importante que é o acolhimento de milhões de peregrinos nacionais e estrangeiros", afirmou o prelado, apelando a que as infra-estruturas e os bons serviços de hotelaria e restauração bem como de informação e comércio possam dignificar o povo português".
UM TRATAMENTO EXCEPCIONAL
O deputado João Moura Rodrigues, no seu discurso de apresentação do projecto de lei, referiu que “Fátima constitui um reconhecido centro de peregrinações extremamente importante para o Mundo Católico. É um local de reconhecida projecção, quer nacional quer internacional”, pelo que merece um “tratamento especial”.
A medida teve em conta o extraordinário crescimento que promoveu o Santuário nos últimos trinta anos, fazendo com que a localidade passe de 6.000 a 10.000 habitantes, com capacidade de 20.000 camas para peregrinos. De facto, hoje Fátima é maior que Ourém
“A Cova da Iria, local onde em 1917 aconteceram as Aparições de Nossa Senhora, era um enorme e inóspito descampado”, recordou o deputado.
A partir de 1 de Janeiro de 2004, Fátima será autónoma do município de Ourém, ao qual pertence actualmente.