Jornadas Nacionais de Formação de Professores de EMRC sobre «Sexualidade, Educação e Cristianismo»
A Igreja procura lançar um outro olhar sobre a educação para a sexualidade no nosso país, que considera estar muito centrada na dimensão da educação para a saúde. Isso mesmo foi referido ao programa Ecclesia pelo presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, D. Tomaz Silva Nunes.
“Há certas tendências, naquilo que se propõe hoje como caminho para a educação da sexualidade, que são redutoras, conduzindo-a para o terreno da educação para a saúde – que é, sem dúvida, positiva -, mas esquecendo outras dimensões da pessoa”, alerta.
O prelado falava durante as Jornadas Nacionais de Formação de Professores de EMRC sobre «Sexualidade, Educação e Cristianismo». A iniciativa, que hoje se iniciou em Fátima, é promovida pelo Secretariado Nacional de Educação Cristã (SNEC), pretendendo ajudar os professores a educar os alunos para a afectividade com programas, objectivos e conteúdos diferenciados.
D: Tomaz Silva Nunes pede que a educação para a sexualidade não seja reduzida “à dimensão mais individual da vivência do prazer, onde os efeitos negativos sejam, por assim dizer, atenuados, pela prevenção”. Na mesma linha, lamenta que os “efeitos negativos” mais sublinhados sejam as doenças sexualmente transmissíveis ou a gravidez indesejada, esquecendo que “há outros aspectos negativos da vivência da sexualidade numa perspectiva individualista”.
O contributo da Igreja, seja nas aulas de EMRC, seja na catequese, deve “partir da realidade que se vive”, segundo o presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, porque “a educação da sexualidade faz-se, de forma espontânea, desde tenra idade, no contacto com a diferenciação sexual, e na própria convivência nas escolas”. Para além deste aspecto, é fundamental “a transmissão de conhecimentos”, em várias disciplinas.
O prelado alerta, contudo, que é necessário “não ficar apenas nos domínios da espontaneidade e da informação”, porque é necessário “integrar a dimensão da sexualidade num projecto de vida”. Assim, um terceiro domínio seria “o testemunho das pessoas mais velhas, com vivências concretas”.
“Aqui os educadores, também os cristãos, têm um papel central a desempenhar, num mundo que parece ser adverso ou indiferente à proposta cristã sobre a sexualidade”, aponta o Bispo Auxiliar de Lisboa.
A presença cristã deve ser, por isso, “interveniente e profética”, mesmo que não satisfaça toda a gente, “não assumindo tudo aquilo que socialmente nos é apresentado como o mais adequado, mas estimulando a reflexão, o debate e a mudança”.
Para D. Tomaz Silva Nunes é essencial que se promova uma abordagem “inter-disciplinar” à problemática da educação sexual, atendendo “às várias sensibilidades e opções”. “Não se pode isolar cada área do conhecimento, é preciso ter um a cultura global e, ao mesmo tempo, uma cultura mais específica sobre determinados assuntos”, acrescenta.
Sobre as várias propostas que têm sido apresentadas neste campo da educação, em Portugal, o prelado lembra que “há hoje uma compreensão da pessoa, que as ciências humanas vieram ajudar a desenvolver, que é nova”. Nesse sentido, os dados trazidos pela antropologia, a psicologia e a sociologia servem para perceber a “complexidade e a profundidade da dimensão da sexualidade humana”.
Pressionar os media
Cristina Sá Carvalho, responsável da área de Psico-pedagogia no SNEC, defende que é essencial pressionar os media
As actuais propostas mediáticas “não têm, na maior parte das vezes, um grande nível, nem sequer estético”, refere a psicóloga.
Esta responsável lembra que a sexualidade “é transversal a todas as dimensões da personalidade, desde a dimensão biológica a dimensões mais profundas”. Nesse sentido, é importante “abrir as propostas educativas a todas estas dimensões”.
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