Projecto era uma prioridade do Serviço Jesuíta aos Refugiados
Os muitos imigrantes sem-abrigo que se espalham pelas ruas de Lisboa vão ter, nos próximos meses, um centro de acolhimento. O projecto, que era uma das principais prioridades do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), começa a ganhar vida amanhã, Dia Internacional dos Migrantes, com a assinatura do Protocolo de Cooperação entre o Instituto de Segurança Social, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e o Serviço Jesuíta aos Refugiados.
A cerimónia tem lugar na sede do JRS em Lisboa, pelas 11h30. O futuro Centro fica situado na Zona 3 da Ameixoeira, em instalações cedidas pela Câmara Municipal de Lisboa, e terá capacidade para 25 imigrantes em situação de emergência social.
A directora do JRS-Portugal, Rosário Farmhouse, confessa à Agência ECCLESIA que “este é um sonho que se torna realidade”, surgido do “aumento de casos dramáticos de imigrantes que estão a viver na rua, para os quais não temos respostas”. A situação de desespero, o frio, a dor e a saudade têm levado muitos imigrantes ao alcoolismo e mesmo a tentarem o suicídio.
O JRS foi um dos parceiros do Centro de Acolhimento Temporário S. João de Deus, que funcionou desde 2003 até Maio deste ano, tendo recebido mais de 330 imigrantes, incluindo famílias inteiras. Esta experiência, refere Rosário Farmhouse, serviu para perceber que “há um grupo de imigrantes, sem abrigo, à espera de poderem voltar a ser integrados ou, caso não seja possível, regressarem aos seus países”.
“Estando na rua, numa situação desesperada, é muito difícil construir qualquer projecto de vida com estes imigrantes”, constata.
Para a directora do JRS no nosso país, o centro de acolhimento será fundamental para oferecer “uma casa e um tecto para que estas pessoas possam recuperar um pouco da sua auto-estima, as condições físicas e psicológicas para que possam decidir aquilo que querem fazer da vida”.
Os cidadãos dos PALOP colocam outro tipo de problemática, ligada muitas vezes a situações de saúde. “Há quem venha com um filho doente, mas não tenha onde ficar. Mesmo se a comunidade africana acolhe os seus conterrâneos, existem situações que chegam a um ponto extremo em que a pessoa acaba por ficar na rua”, adianta Rosário Farmhouse.
Para o futuro, o JRS continuará aberto a novos desafios, com o objectivo de “construir uma casa, com os utentes, que seja deles”.
Rosário Farmhouse, que regressou ontem de uma visita à Ucrânia, acaba de ser apresentada pela revista “Visão” como um dos “dez exemplos que Portugal deve seguir”. Para esta responsável, a distinção é, sobretudo, para “a grande equipa do JRS, que eu quero homenagear, porque se não fossem eles nunca ninguém daria conta do nosso trabalho”.