O Círculo Católico de Operários de Vila do Conde (CCOVC) foi desafiado a continuar, com o mesmo empenho, com a sua missão de intervenção social mas sem que esqueça ou renegue as suas origens. No sánado, dia em que comemorava 100 anos de existência, aquela que é a mais antiga associação vilacondense, ouviu as recomendações da boca do Presidente da República e do Arcebispo de Braga.
Na sessão solene, o chefe de Estado confessou ter ficado «impressionado» pelo facto da cerimónia ter-se iniciado com todos a cantarem o Hino Nacional. Para Jorge Sampaio essa foi «uma excelente lição de confiança » numa altura em que é tão necessária no país. Por outro lado, salientou o facto do Hino Nacional não ter sido esquecido num acto em que se assinalava o centenário de uma instituição.
A tónica do discurso do Presidente da República residiu no enlevo que quis dar à capacidade de adaptação que o CCOVC tem demonstrado ao longo dos anos. «Por sua iniciativa esta associação ajustou a sua acção às profundas alterações que a sociedade portuguesa sofreu ao longo destes 100 anos», sublinhou Jorge Sampaio. Falando na sessão durante qual foi galardoado pelo CCOVC o presidente da Câmara Mário Almeida, o chefe de Estado destacou ainda a capacidade que o Círculo demonstrou ao «abrir-se ao movimento cultural» sabendo fomentar nesse domínio novos valores. Por isto mesmo, «chegar aos 100 anos não foi sorte», sustentou o Presidente da República, «foi fruto de passos bem direccionados», acrescentou.
Jorge Sampaio apelou ainda para que outras instituições do país seguissem o exemplo daquela associação, sobretudo, no que diz respeito ao estabelecimento de parcerias e no diálogo com outras entidades congéneres. Se as instituições falassem mais entre si, o Presidente da República acredita que mais facilmente seriam estabelecidas parcerias e «encontradas formas que fizessem das fraquezas força e que combatessem a mediocridade».
Nessa linha, o presidente do CCOVC, Francisco Mesquita, confirmou que ao longo de toda a sua existência, aquela instituição, procurando manter a sua identidade, partiu para a «redescoberta dos seus próprios objectivos», procurando ser cada vez mais útil e integrada no meio social que a rodeia.
Na mesma cerimónia, Jorge Sampaio prestou ainda homenagem a todos os bombeiros e militares portugueses que têm estado a combater os inúmeros incêndios que têm devastado o país. «Quero saudar todos os bombeiros, os militares e grupos de pessoas que têm desempenhado um trabalho tão difícil e tão duro nestes dias», disse o chefe de Estado, mostrando-se também solidário «com todos os portugueses que têm sofrido e chorado por verem as suas casas e bens destruídos ».
Círculo não deve esquecer que é “católico”
Antes da sessão solene, na missa que foi celebrada na igreja matriz de Vila do Conde, o Arcebispo Primaz apelou aos sócios e dirigentes do CCOVC que a instituição fizesse «um regresso às origens».
Salientando que o início dos Círculos foi desencadeado pela resposta que a Igreja Católica quis dar face «a um conjunto de problemas de grande gravidade no mundo operário», D. Jorge Ortiga exortou para que, hoje, numa conjuntura social que se agrava, dado o crescente desemprego, o CCOVC volte a dar respostas «não com as mesmas funções do passado, mas com o mesmo espírito».
Ao presidir àquela eucaristia, o prelado lembrou que o trabalho deve ser olhado como «factor fundamental da realização pessoal do homem todo».
Por este facto, apelou para que os Círculos Católicos de Operários possam renascer e, aprofundando o conhecimento sobre a Doutrina Social da Igreja, encontrar respostas novas para os desafios que se colocam ao mundo do trabalho.
«Partindo da Igreja – e nunca esquecendo isso – é preciso que os Círculos Católicos se tornem a multiplicar », disse D. Jorge Ortiga.
«Devemos preocupar- nos com o nosso trabalho mas também com o trabalho do outro, já que o mesmo é a base para uma vida mais humana e de esperança », acrescentou o arcebispo de Braga.