Dois Arciprestados de Lamego estão a promover um trabalho de inventariação do património móvel religioso, sob a égide da diocese local e na sequência da candidatura à medida 1.4 do programa operacional da Região Norte.
Lamego e Tarouca levam por diante um projecto que visa “acorrer não só às necessidades imediatas que exigem a atenção sobre um património eminentemente em risco, detectando carências ao nível da segurança, protecção e restauro”.
Os trabalhos passam pela inventariação, estudo e divulgação da arte religiosa – escultura, pintura e ourivesaria -, com finalidades pedagógicas.
Entre os actuais desafios à divulgação do património de arte religiosa está, de facto, o esquecimento do “espírito da obra”, ligado ao seu contexto original, em detrimento de métodos de análise cientifica que tentam pôr em evidência a técnica do pintor, a construção original da composição na sua globalidade, os materiais empregues e a sua disposição ou a escola em que se insere.
O jornal diocesano “Voz de Lamego” irá publicar notas semanais sobre a evolução do inventário nos referidos Arciprestados, bem como sobre algumas das obras encontradas nessa inventariação.
O exemplo de Lamego mostra a crescente preocupação da Igreja Católica com o seu Património. Em Novembro do ano passado, o Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja e o Instituto Português de Conservação e Restauro (IPCR) assinaram um instrumento de colaboração para as dioceses e demais instituições eclesiais em Portugal
Tal instrumento permitirá a consultoria científica e técnica no âmbito das intervenções de preservação, conservação e restauro a desenvolver nos bens culturais que integram o acervo tutelado pelas dioceses, independentemente de se encontrarem ao culto ou em reservas, contribuindo para a caracterização e adequação dos espaços de acondicionamento desse património cultural. Permitirá também realizar acções de formação e de sensibilização no âmbito da conservação e restauro do património cultural religioso, de acordo com os pedidos e as necessidades das dioceses e dos responsáveis das comunidades.
Na década de 80 incentivaram-se os contactos do Instituto Português do Património Cultural com as Dioceses, conduzindo a diversas realizações de carácter formativo (no âmbito da conservação preventiva, da segurança e da divulgação das colecções) e à análise conjunta de projectos de recuperação e reutilização de imóveis de proveniência eclesiástica, tutelados por aquele Instituto (Mosteiros de Alcobaça, Batalha e Tibães).
Fazendo coincidir com os grandes eventos internacionais, a Conferência Episcopal determinou a organização de Exposições de prestigio como "Oito Séculos de Missionação Portuguesa" (Lisboa, 1994 e Vaticano, 1996), a Diocese do Porto promoveu a Exposição "Cristo, Fonte de Esperança" (Porto, 2000, por ocasião do "Grande Jubileu") e um número significativo de Dioceses autorizou o empréstimo de colecções para Exposições promovidas pelo Estado, dentro e fora do País.