Jovens trabalham nas áreas da educação, saúde e promoção social
A Associação “Leigos para o Desenvolvimento” (LD) apresentou terça-feira à noite, no Centro Académico de Braga (CAB), o plano de formação que se destina aos candidatos a voluntários, e que será ministrado ao longo dos próximos nove meses.
Durante a sessão de esclarecimento, que contou com cerca de 20 participantes, os responsáveis presentes – Gonçalo Archer de Carvalho, Margarida Cor– sino e o padre Luís Frazão – explicaram que esta Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) de cariz católico actua nos chamados países em vias de desenvolvimento, em especial nos de expressão oficial portuguesa (Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), através dos seus voluntários, que aí colocam, por um ou mais anos, as suas capacidades pessoais e profissionais ao serviço da promoção e desenvolvimento humanos.
No trabalho exercido nas áreas da educação (aulas no Ensino Básico, Secundário e Técnico-Profissional; alfabetização de adultos; criação e apoio a bibliotecas, creches, centros de apoio escolar e de Informática), saúde (apoio a hospitais e postos de saúde; programas de vacinação; prevenção da subnutrição; educação para a Saúde), promoção social (criação e apoio a infra-estruturas, tal como tanques, canalizações de água e creches; agricultura de subsistência; abertura de lojas comunitárias; e micro-crédito) e na acção pastoral (catequese, grupos de jovens e retiros), os Leigos tentam que o verdadeiro desenvolvimento seja sempre auto-desenvolvimento. Por isso e para poderem partir em Missão, os Leigos devem possuir um determinado perfil: terem entre os 21 e os 40 anos de idade; estarem libertos de encargos familiares; possuírem formação académica ou profissional; e também devem ter tempo para frequentar a formação ministrada pelos LD no ano que antecede a selecção e partida.
Ser-se católico é, segundo os responsáveis, «essencial » e «traduz a própria identidade de quem parte em Missão». Por isso, é obrigatório que os candidatos a Leigos também sejam crismados. Assim, os centros universitários da Companhia de Jesus em Coimbra, Porto e Braga, têm fomentado núcleos regionais que, em estreita ligação com a sede, procuram dar resposta à diversidade de origens dos candidatos a Leigos.
Associação assume despesas
Por sua vez, a Associação assume as despesas das viagens, habitação, saúde e alimentação, para além dos seguros dos voluntários. Os LD também fornecem uma pequena verba para despesas pessoais e pagam um mês de férias em Portugal no final de cada ano.
Na Missão, os Leigos vivem em comunidade, onde a diversidade de pessoas é a grande riqueza e o grande desafio para o crescimento no respeito, compreensão e abertura mútua. Segundo dados fornecidos pelo responsável para a divulgação das actividades dos LD, «passaram pelo terreno, até hoje, 244 voluntários ». Gonçalo Archer de Carvalho explicou ao Diário do Minho que, «em média, partiram anualmente 16 voluntários, embora se tenha assistido a uma grande instabilidade a este nível. Para essa oscilação contribuiu de forma decisiva a alteração no ano de 2002/ /2003 do período de tempo de voluntariado exigido, de dois para apenas um ano».
Nove meses de formação
No decénio 1994/95- -2004/05, participaram da formação LD um total de cerca de 460 formandos, o que perfaz uma média de 40 por ano. Dos que iniciam a formação, em média, apenas 40 por cento são enviados em missão no final do ano.
No ano lectivo que antecede a partida em Missão, o candidato a LD recebe uma formação que dura noves meses, durante a qual se pretende dar a conhecer a história, espiritualidade, filosofia de acção e projectos dos Leigos. São cinco as etapas fundamentais deste período de aprofundamento – “Quem são os Leigos”; “Eu, Deus e os Outros”; “A Vida em Comunidade”; “A Vida em Missão”; e “Formação Individual específica para os Projectos” –, que conta com diversas actividades de formação cultural e espiritual: reuniões quinzenais a nível regional; encontros temáticos; um mini-campo de trabalho; um campo de trabalho de dez dias; um curso de iniciação à fé; e exercícios espirituais inacianos de três e sete dias.
A participação na formação é obrigatória, embora a respectiva inscrição não implique qualquer compromisso, quer da parte do candidato, quer da parte da Associação.