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Linguagem dos media é diferente da do púlpito

Agência Ecclesia
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«É no campo editorial que os grandes desafios se tratam», diz novo diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

Lisboa, 25 nov 2011 (Ecclesia) – O novo diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja, cónego João Aguiar, afirmou hoje que os católicos lidam melhor com os media mas continuam a usar linguagem “de púlpito”.

“A Igreja tem feito grandes progressos. Há quem comunique bem porque estruturou a sua reflexão e tem capacidade de se adaptar aos meios de comunicação, e há quem comunique menos bem e o faça com uma linguagem para dentro, mais de sacristia ou de púlpito”, disse à Agência ECCLESIA.

O sacerdote frisou que os meios de comunicação social “não são um compêndio de teologia” e alertou para a incapacidade dos católicos encontrarem “a expressão e a metáfora mais adequada para dizer um Deus indizível”.

A Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, presidida pelo bispo D. Pio Alves, está aberta a ajudar os responsáveis católicos a relacionarem-se com os media, desde que “as pessoas façam um exame de consciência e reconheçam essa necessidade”, apontou o cónego João Aguiar.

O responsável citou “bons exemplos de profissionalismo”, como “o livro de estilo da Agência ECCLESIA” e a comunicação que se faz na Rádio Renascença, de que é presidente do Conselho de Gerência.

O cónego João Aguiar defende uma “comunicação mais interventiva” da Igreja: “É no campo editorial que os grandes desafios se tratam. Se não fizermos a leitura, interpretação e comentário dos acontecimentos com os nossos olhos, ninguém o vai fazer como nós”.

O responsável sublinha que os católicos têm de “aprender a trabalhar juntos e, sobretudo, contribuir para que a Igreja portuguesa viva num estado permanente de comunicação”.

“Temos estado um pouco dispersos. É importante que cada diocese viva na sua região mas é essencial que saibamos que somos católicos, isto é, universais”, aponta o sacerdote, acrescentando que a “mentalidade tem de mudar” para que a Igreja ganhe peso em questões comerciais e nas associações em que está representada.

O novo diretor afirmou que vai seguir na generalidade o programa traçado pelo seu antecessor, cónego António Rego: “Pode haver outra sensibilidade a introduzir num ou noutro campo, como no semanário da Agência ECCLESIA ou no desenvolvimento de aplicações diferentes para tecnologias onde importa que a Igreja esteja presente”.

O responsável não adiantou projetos porque pretende ouvir o vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais encarregue de acompanhar o setor da comunicação social da Igreja, o bispo D. Nuno Brás, assim como o diretor da Agência ECCLESIA, Paulo Rocha.

Uma das atividades em estudo é a realização, em 2012, do encontro com a comissão episcopal congénere espanhola.

RJM



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