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Media: Papa ultrapassa discurso centrado na tecnologia

Agência Ecclesia
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Alfredo Teixeira (Agência ECCLESIA)
Alfredo Teixeira (Agência ECCLESIA)

Alfredo Teixeira destaca importância da «proximidade» na mensagem de Francisco

Lisboa, 29 mai 2014 (Ecclesia) – O antropólogo Alfredo Teixeira, professor da Universidade Católica Portuguesa, afirmou hoje que a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais promove uma nova perspetiva sobre as redes digitais.

O docente da Universidade Católica Portuguesa sustenta que a mediasfera é “um lugar onde se recompõem os vínculos sociais” no qual Francisco vem reforçar a ideia de “proximidade”.

“Se a comunicação é uma redução de distância, a proximidade é o lugar de elaboração desta experiência de cidadania num novo contexto”, declarou o conferencista convidado pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja para o encontro de apresentação da mensagem do Papa ‘Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro’.

“A metáfora usada para falar desta realidade é a da cidadania. O problema não são os novos areópagos, mas novas cidades”, precisa o professor universitário.

Segundo Alfredo Teixeira, Francisco retoma a “questão do próximo”, um tema central, com “apelos a ultrapassar os limites de uma compaixão à distância”.

“A mensagem do Papa Francisco inscreve a mediação tecnológica na lógica do dom”, destacou, a respeito do texto para a celebração do 48.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja Católica celebra no domingo.

O antropólogo observa que o Papa identifica nas redes digitais “outros lugares de reinvenção deste amor-caridade, ultrapassando o que divide e fazendo crescer o que é comum”.

“Estes novos espaços não podem ser encerrados num discurso sobre a tecnologia”, prosseguiu.

Alfredo Teixeira identificou um “olhar de bondade sobre a rede comunicativa”, na reflexão de Francisco, que passa de uma perspetiva “funcional” para a reinvenção de uma cultura, que designa como “cultura do encontro”.

O Papa, realçou, abandona o discurso “preponderantemente instrumental” para falar em “lugares novos de relações”, com consciência da “complexidade próprias destas mediaseferas” e um “discurso humanista que não se deixa iludir pelo virtuosismo tecnológico”.

“Os meios que permitem estar mais perto podem introduzir novas fronteiras de exclusão”, advertiu.

OC



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