Mundo sindical tem de mudar LÃgia Silveira 15 de Fevereiro de 2008, às 17:41 ... Pastoral Operária diz que sindicatos estão a perder capacidade de mobilização e de protecção dos trabalhadores A Pastoral Operária da Igreja Católica no nosso paÃs considera que os sindicatos estão a perder capacidade de mobilização, de organização e consequentemente, de protecção dos trabalhadores. Em tempo de Congresso de uma das centrais sindicais em Portugal e no inÃcio de vida da Central Sindical Internacional, os operários católicos querem lançar uma reflexão conjunta para “quebrar a presente situação de crise e encontrar novos valoresâ€. Numa altura em que o mercado de trabalho assiste a uma “redução drástica do número de trabalhadores e à introdução de novas formas de gestão dos recursos humanosâ€, os sindicatos estão a perder a sua capacidade de regulação. A taxa de desemprego actual indica que 450 mil cidadãos em Portugal estão desempregados. Esta taxa baixou para 7,8% no último trimestre de 2007, um valor inferior ao dos meses anteriores, mas que não foi suficiente para impedir um agravamento no conjunto do ano, para 8%. A Pastoral Operária pretende “discutir o papel dos sindicatos e a participação dos trabalhadores nessas estruturas representativasâ€. Estas estruturas são “fundamentais para a protecção dos trabalhadoresâ€, admite a Pastoral Operária porque muitas vezes, “são as únicas organizações a lutar para salvaguardar a pessoa do trabalhador nesta economia de mercado selvagemâ€. Num dossier enviado à Agência ECCLESIA, defende-se uma maior presença de organizações sindicais junto do sector público do que do sector privado: “Nota-se um crescente profissionalismo dos sindicatos, já que muitos dirigentes sindicais estão há muitos anos nas direcções, fazendo disso a sua profissãoâ€. A Pastoral Operária denuncia “uma partidarização dos sindicatosâ€, a criação de espaços de demonstração de poder que “retira aos sindicatos a liberdade e independênciaâ€. O papel dos sindicatos não é de fazer polÃtica. “Não têm o caracter de partidos polÃticos que lutam pelo poder e também não deveriam nunca estar submetidos à s decisões dos partidos polÃticos. Se assumirem tal carácter perdem facilmente o contacto com o papel especÃfico: a garantia dos justos trabalhadores no quadro do bem comum da sociedadeâ€. Pela “descredibilização e por serem cada vez mais questionadosâ€, os operários católicos indicam a necessidade de os sindicatos serem transformados. “É fundamental que os sindicatos encontrem formas de funcionamento adequadas à s novas realidades do mundo do trabalho e à s necessidades dos trabalhadoresâ€, necessidades estas centradas na “pessoa humana é e deve ser o princÃpio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociaisâ€. A Pastoral Operária indica que os sindicatos devem ser “instrumentos ao serviço do bem comum†e que as duas centrais sindicais devem procurar “unir-se e ir fazendo um caminho num sentido de serem uma vozâ€. Os trabalhadores devem cada vez mais estar informados, “ser mais participativos e interventidos na vida das empresas e da sociedadeâ€. O dossier apresenta o trabalho como fundamental para a inclusão social das pessoas, porque “dignifica, é defesa e garante de direitosâ€. Estes mesmo princÃpios são sublinhados na Doutrina Social da Igreja. A nÃvel internacional a conjectura está também em mudança. “Actualmente uma grande parte das decisões já não são tomadas dentro de fronteiras de cada paÃs mas sim em instâncias europeias e mundiaisâ€, pois os estados nacionais “não têm condições para fazer frente ao poder das empresas multinacionaisâ€. Nesse sentido, a Central Sindical Internacional tem por objectivo lutar por melhores condições de vida para todos, “lutando por uma globalização mais justaâ€. A Pastoral Operária “não vai parar a reflexão por aquiâ€. Américo Monteiro garante estarem disponÃveis para reflectir juntamente com outras organizações, “sindicatos ou outrosâ€. Em declarações à Agência ECCLESIA Américo Monteiro, Coordenador Nacional da Pastoral Operária, explica que as preocupações apresentadas no dossier manifestam as preocupações das organizações católicas operárias, mas também de diversas personalidades ligadas ao mundo sindical, tanto a nÃvel nacional como internacional. “Não temos dificuldades em lançar debate porque não procuramos votos. Queremos sim lançar questões para provocar discussão e encontrar soluçõesâ€, reconhece o coordenador nacional. Pastoral Operária Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...